Opinião
Segue o looping da reciprocidade negativa em Minas
13 setembro, 2018
0
, ,

Cruzeiro e Atlético vão se enfrentar no domingo pelo Campeonato Brasileiro. Será o quinto e último jogo entre as equipes na temporada. Infelizmente não foi o único com problemas e discussões infantis fora de campo. A incapacidade de conversar e gerir problemas dos dirigentes dos dois lados segue forte, assim como o “toma lá, dá cá” tolo que não leva a lugar algum.

 

Quando muda o mandante se inverte o lado. Mas a história é sempre a mesma. Um dos dois clubes é o “culpado”. O outro é a “vítima”. O motivo é sempre o mesmo: reciprocidade. Só mudam os motivos e o lado. Nenhum passo é dado no sentido da evolução. O prejudicado de hoje quer fazer ainda pior quando tiver a oportunidade.

 

Desta vez é o Cruzeiro quem coloca um preço exorbitante nos ingressos para a torcida visitante e dificulta a entrega dos mesmos para que o adversário possa fazer a venda com antecedência. No primeiro turno, no Horto, o Atlético adotou procedimento parecido.

 

Dos dois lados, torcedores batem palmas para os dirigentes. Cegos, não percebem que são eles os principais (ou únicos) prejudicados. O ego não permite que um dos lados recue em nome do diálogo. Sempre quem está em posição enfraquecida dá sinais de que é preciso aparar arestas mas coloca tudo a perder quando tem posição de poder.

 

Em campo, um jogo esvaziado pelo calendário. Em meio a duas competições de mata-mata, o Cruzeiro deve usar um time todo reserva a exemplo do que já fez no primeiro turno. O calendário também joga contra um dos principais espetáculos do futebol brasileiro.

 

O looping eterno da reciprocidade negativa não faz bem a ninguém. Nem aos clubes, nem aos torcedores. Que um dia o bem coletivo fale mais alto que a vontade de se impor. Não foi dessa vez.

Opinião
Santos é o único culpado por eliminação dura na Libertadores
29 agosto, 2018
0
, , , , ,

As palavras do técnico Cuca após a traumática eliminação na Libertadores com o empate sem gols ontem a noite diante do Independiente deixam claro que só há um culpado na escalação irregular de Carlos Sanchez no jogo de ida: o próprio Santos. Ainda que desde a manhã de ontem o clube, com ajuda de imprensa e torcedores, tenha tentado responsabilizar a Conmebol pela punição dura com derrota por 3 a 0 no jogo de ida que na realidade terminou empatado. A ideia inclusive culminou com o caos no Pacaembu e o jogo encerrado antes do tempo devido. Atiraram no culpado errado.

 

Santos, Sanchez, Libertadores,

Ivan Storti/Santos FC

É evidente que há muito a ser melhorado na Conmebol e na organização da Libertadores. É claro que se existe um sistema de registro de punições ele deveria conter todas elas e ser confiável. É óbvio que o resultado de um julgamento que altera o resultado de um jogo de ida não deveria sair na manhã da partida de volta em um mata-mata. A federação sul-americana de futebol é condenável em vários aspectos. Mas além de lembrar que o Santos (assim como todos os clubes brasileiros) tem parcela de culpa na manutenção dos mesmos nos cargos diretivos de federações em todos os âmbitos é preciso dizer que desta vez a Conmebol cumpriu a risca o regulamento.

 

Existem injustiças no regulamento, que permitem por exemplo o River Plate passar ileso mesmo tendo escalado um jogador de forma irregular por sete partidas. Mas o regulamento é, ou deveria ser, conhecido por todos os clubes que disputam a competição. Assim como o fato de punições antigas não constarem no sistema implantado pela Conmebol.

 

O Cruzeiro teve o capricho de deixar fora da sua estreia dois titulares em um jogo difícil fora de casa na Argentina. Preferiu não arriscar sem uma posição oficial da Conmebol. O próprio River Plate, na dúvida, exigiu um documento da entidade antes de escalar o seu jogador.

 

É inaceitável em pleno 2018, com tanta gente empregada no departamento de futebol dos grandes clubes, um erro tão infantil. Que coloca tanto em risco. Não por acaso, demissões já começaram no setor responsável pelo registro dos atletas no Peixe (que já perdeu muito ao não conseguir inscrever reforços a tempo de jogar na Copa do Brasil).

 

O Santos pode demonizar a Conmebol pela eliminação. Deve recorrer a todas as instâncias para tentar reverter a decisão desfavorável no tribunal. Mas precisa saber também que é o único responsável pela traumática eliminação da noite desta terça. Aprender e mudar.

Opinião
Não é só técnicos que trocamos além da conta
24 agosto, 2018
0
, , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

Me lembro de no início do ano em uma entrevista com Enderson Moreira, então técnico do América, quando perguntei a ele sobre a baixa qualidade do jogo aqui no Brasil que um dos motivos levantados pelo treinador foi o excesso de mudança pelos quais os times passam. Não só técnicos, mas elenco também. Desde então, isso ficou na minha cabeça.

 

Rodada após rodada, faço o levantamento dos jogadores que jogaram por todos os 20 times da Série A. Em todas do primeiro turno tivemos pelo menos um jogador estreando na temporada. Na primeira do returno, o mesmo se repetiu. Não sei se é comum nos outros campeonatos mundo afora, mas esse número me chamou a atenção. Por isso resolvi comparar o quanto os times mudaram da estreia na principal competição do país em abril até o início da segunda metade da disputa (menos de quatro meses depois) e os números são alarmantes.

 

Considerei no levantamento os 11 titulares e o técnico de cada time na primeira e na 20ª rodada (como Atlético-PR e Chapecoense tiveram o jogo adiado considerei os escalados na rodada anterior). Apenas seis equipes conseguiram repetir mais da metade dos nomes (Bahia, Chapecoense, Flamengo, Fluminense, Grêmio e Internacional). A larga maioria passou por mudanças profundas. Chama a atenção o Vitória que não por acaso está na zona do rebaixamento e teve apenas Yago atuando como titular nos dois jogos contra o Flamengo na competição. A equipe baiana, aliás, teve três estreantes nesta quinta-feira e chegou ao assustador número de 51 atletas utilizados em 49 jogos na temporada.

 

Como é preciso levar em conta que existem suspensões, lesões e muitos outros fatores que levam às mudanças no time, resolvi comparar os dados do Campeonato Brasileiro com os três principais do planeta (Alemão, Inglês e Espanhol). Considerando a temporada 2017-2018 e comparando a primeira rodada do turno e do returno da mesma maneira, os números provam que mexemos além da conta. Em nenhuma delas o número de jogadores que estão nas duas escalações é menor do que o de mudanças. Na Alemanha, onde a média é mais baixa, só três de 18 times não repetiram pelo menos a metade dos jogadores.

 

Muitos problemas levam a tantas mudanças no Brasil. Uma janela que fica aberta quase o ano inteiro para transações nacionais, o excesso de competições e jogos, a grande quantidade de troca de técnicos. Mas é inegável que a pouca repetibilidade também influencia negativamente na qualidade do jogo que é jogado por aqui. Sem entrosamento e sem sequência, é impossível atingir a excelência.

 

Mudanças profundas no calendário e no modelo de gestão dos clubes são necessidades cada vez mais urgentes. Ou seguiremos vendo de perto o atraso em relação a outras ligas mundo afora.

 

Abaixo os números completos em cada uma das Ligas:

 

Mudanças, Série A, Brasileiro,

Opinião
Rodada de degolas mostra que não mudamos nada
4 junho, 2018
0
, , , , , , , , , , , , , ,

A nona rodada do Campeonato Brasileiro foi pródiga em mudanças de técnicos nos times da Série A. Três de uma só vez. O primeiro foi Zé Ricardo, que pediu demissão no Vasco. No dia seguinte, Guto Ferreira não resistiu a mais uma derrota no Bahia. E na madrugada de hoje, Jorginho, que havia assumido o Ceará há apenas 15 dias, também entregou o cargo. Chegamos a 11 trocas de comando nos times da elite do futebol brasileiro nesta temporada. No mesmo dia 04/06 só que em 2017, Dorival Júnior era demitido pelo Santos completando as mesmas 11 mudanças. Os números se repetem.

 

É verdade que das seis trocas de comando em nove rodadas do Campeonato Brasileiro até aqui, quatro foram provocadas pelos treinadores. Nelsinho Baptista, Fábio Carille, Zé Ricardo e Jorginho tomaram a decisão de deixar seus clubes. Mas exceção feita ao treinador do Corinthians, que vinha bem e recebeu uma ótima proposta da Arábia, é difícil imaginar que os outros teriam vida longa.

 

Chama a atenção o caso de Guto Ferreira, no Bahia. Campeão estadual, semifinalista da Copa do Nordeste, classificado para a segunda fase da Copa Sul-Americana e com a vaga encaminhada para as quartas de final da Copa do Brasil. Foi demitido pelo início ruim do Campeonato Brasileiro, com apenas 30% de aproveitamento. Ainda assim, está apenas um ponto atrás do primeiro time fora da zona do rebaixamento. O que mais queria a diretoria?

 

Ainda falta ao futebol brasileiro entender as próprias expectativas. O Ceará (também campeão estadual e bem na Copa do Nordeste), é o time que mais entrou em campo no ano. Praticamente não teve tempo para treinar. Perdeu Pedro Ken por suspeita de doping e vários jogadores importantes por lesão. Começou mal o Campeonato e resolveu demitir o técnico que trouxe o time de volta à elite. Dias depois, já vai para o terceiro treinador da temporada (apostando cedo no sangue no olho de Lisca, que até hoje não conseguiu engatar um bom trabalho de longo prazo).

 

Enquanto a ciranda gira (e deve girar mais até a parada para a Copa do Mundo), os nossos clubes seguem sem padrão de jogo. Só é possível ver ideias claras em quatro times que disputam a Série A: o Grêmio, que mantém o nível da última temporada, o Cruzeiro com o projeto seguro de Mano Menezes, o Corinthians que mantém um ciclo firme mesmo trocando treinadores e o Atlético-PR que tem a cara de Diniz mas está longe de emplacar resultados. Os outros 16 times não tem identidade e seguem acertando e errando. No fim, perdem (quase) todos.

Opinião
Sequência de modelo é caminho para o Corinthians
23 maio, 2018
0
, , ,

Fábio Carille aceitou a proposta que disse ser mentira da imprensa e deixou o Corinthians por “dois caminhões de dinheiro”. Vai trabalhar na Arábia Saudita onde poderá aprender ainda mais em uma cultura diferente e terá um ótimo salário. Deixa os holofotes mas quando quiser voltar ao Brasil certamente encontrará portas muito abertas, daqui quanto tempo for. Faz uma opção mais financeira que técnica, mas que é inquestionável.

 

Carille, Osmar Loss, Corinthians

Daniel Augusto Jr/Ag Corinthians

Para o Corinthians, atual campeão brasileiro, mais uma baixa importante. Carille soube fazer o time se reencontrar depois de algumas decisões ruins da diretoria quebrando o modelo com Oswaldo de Oliveira e Cristóvão Borges. Conquistou o título nacional com um time a princípio desacreditado. Soube lidar com as perdas para formar uma equipe forte também em 2018. Está classificado na Libertadores e na Copa do Brasil. Ocupa as primeiras posições no campeonato brasileiro.

 

Em um futebol que muda muito, o Corinthians é exemplo a ser seguido no Brasil. Desde Mano, passando por Tite e agora com Carille tenta seguir uma linha de jogo. Claro que os técnicos tem ideias diferentes, mas em geral se assemelham em vários aspectos. Será assim mais uma vez com Osmar Loss. Vitorioso na base e com histórico excelente, teve tempo para conhecer de perto o trabalho e a linha de ideia de Carille e poderá adaptar as suas aos poucos. Normalmente, os times de Loss são mais verticais, tem bola parada forte e costumam marcar um pouco mais a frente que o atual Corinthians está acostumado. Mas ainda assim, o time deve mudar aos poucos. Ser alterado por alguém que está por dentro dos processos pelos quais a equipe passou nos últimos anos e principalmente nos últimos meses. Fundamental.

 

Não existe só uma forma de jogar futebol. E não existem dois técnicos idênticos. Cada um tem a sua particularidade. Mas o Corinthians acerta mais uma vez ao tentar manter uma linha próxima, alguém que conhece o projeto do clube e o modelo de jogo atual. Só o tempo dirá se Osmar Loss funcionará ou não como treinador da equipe. O próprio Carille teve percalços na primeira vez que assumiu. Mas manter o modelo é o caminho que o Corinthians escolhe mais uma vez. E que deve manter a equipe na briga pelos principais títulos do país.