Opinião
Rodada de degolas mostra que não mudamos nada
4 junho, 2018
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A nona rodada do Campeonato Brasileiro foi pródiga em mudanças de técnicos nos times da Série A. Três de uma só vez. O primeiro foi Zé Ricardo, que pediu demissão no Vasco. No dia seguinte, Guto Ferreira não resistiu a mais uma derrota no Bahia. E na madrugada de hoje, Jorginho, que havia assumido o Ceará há apenas 15 dias, também entregou o cargo. Chegamos a 11 trocas de comando nos times da elite do futebol brasileiro nesta temporada. No mesmo dia 04/06 só que em 2017, Dorival Júnior era demitido pelo Santos completando as mesmas 11 mudanças. Os números se repetem.

 

É verdade que das seis trocas de comando em nove rodadas do Campeonato Brasileiro até aqui, quatro foram provocadas pelos treinadores. Nelsinho Baptista, Fábio Carille, Zé Ricardo e Jorginho tomaram a decisão de deixar seus clubes. Mas exceção feita ao treinador do Corinthians, que vinha bem e recebeu uma ótima proposta da Arábia, é difícil imaginar que os outros teriam vida longa.

 

Chama a atenção o caso de Guto Ferreira, no Bahia. Campeão estadual, semifinalista da Copa do Nordeste, classificado para a segunda fase da Copa Sul-Americana e com a vaga encaminhada para as quartas de final da Copa do Brasil. Foi demitido pelo início ruim do Campeonato Brasileiro, com apenas 30% de aproveitamento. Ainda assim, está apenas um ponto atrás do primeiro time fora da zona do rebaixamento. O que mais queria a diretoria?

 

Ainda falta ao futebol brasileiro entender as próprias expectativas. O Ceará (também campeão estadual e bem na Copa do Nordeste), é o time que mais entrou em campo no ano. Praticamente não teve tempo para treinar. Perdeu Pedro Ken por suspeita de doping e vários jogadores importantes por lesão. Começou mal o Campeonato e resolveu demitir o técnico que trouxe o time de volta à elite. Dias depois, já vai para o terceiro treinador da temporada (apostando cedo no sangue no olho de Lisca, que até hoje não conseguiu engatar um bom trabalho de longo prazo).

 

Enquanto a ciranda gira (e deve girar mais até a parada para a Copa do Mundo), os nossos clubes seguem sem padrão de jogo. Só é possível ver ideias claras em quatro times que disputam a Série A: o Grêmio, que mantém o nível da última temporada, o Cruzeiro com o projeto seguro de Mano Menezes, o Corinthians que mantém um ciclo firme mesmo trocando treinadores e o Atlético-PR que tem a cara de Diniz mas está longe de emplacar resultados. Os outros 16 times não tem identidade e seguem acertando e errando. No fim, perdem (quase) todos.

Opinião
Sequência de modelo é caminho para o Corinthians
23 maio, 2018
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Fábio Carille aceitou a proposta que disse ser mentira da imprensa e deixou o Corinthians por “dois caminhões de dinheiro”. Vai trabalhar na Arábia Saudita onde poderá aprender ainda mais em uma cultura diferente e terá um ótimo salário. Deixa os holofotes mas quando quiser voltar ao Brasil certamente encontrará portas muito abertas, daqui quanto tempo for. Faz uma opção mais financeira que técnica, mas que é inquestionável.

 

Carille, Osmar Loss, Corinthians

Daniel Augusto Jr/Ag Corinthians

Para o Corinthians, atual campeão brasileiro, mais uma baixa importante. Carille soube fazer o time se reencontrar depois de algumas decisões ruins da diretoria quebrando o modelo com Oswaldo de Oliveira e Cristóvão Borges. Conquistou o título nacional com um time a princípio desacreditado. Soube lidar com as perdas para formar uma equipe forte também em 2018. Está classificado na Libertadores e na Copa do Brasil. Ocupa as primeiras posições no campeonato brasileiro.

 

Em um futebol que muda muito, o Corinthians é exemplo a ser seguido no Brasil. Desde Mano, passando por Tite e agora com Carille tenta seguir uma linha de jogo. Claro que os técnicos tem ideias diferentes, mas em geral se assemelham em vários aspectos. Será assim mais uma vez com Osmar Loss. Vitorioso na base e com histórico excelente, teve tempo para conhecer de perto o trabalho e a linha de ideia de Carille e poderá adaptar as suas aos poucos. Normalmente, os times de Loss são mais verticais, tem bola parada forte e costumam marcar um pouco mais a frente que o atual Corinthians está acostumado. Mas ainda assim, o time deve mudar aos poucos. Ser alterado por alguém que está por dentro dos processos pelos quais a equipe passou nos últimos anos e principalmente nos últimos meses. Fundamental.

 

Não existe só uma forma de jogar futebol. E não existem dois técnicos idênticos. Cada um tem a sua particularidade. Mas o Corinthians acerta mais uma vez ao tentar manter uma linha próxima, alguém que conhece o projeto do clube e o modelo de jogo atual. Só o tempo dirá se Osmar Loss funcionará ou não como treinador da equipe. O próprio Carille teve percalços na primeira vez que assumiu. Mas manter o modelo é o caminho que o Corinthians escolhe mais uma vez. E que deve manter a equipe na briga pelos principais títulos do país.

Opinião
Vinicius Júnior, Diniz e o Brasil que torce contra
21 maio, 2018
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O Campeonato Brasileiro de 2018 ainda está só no começo, com nível técnico bem parecido com o dos últimos anos. Muitos jogos ruins, por diversos fatores. O horário ruim das 11h da manhã do domingo que não tem mais atraído tanto público mas que tem atrapalhado muito os times. O calendário apertado por conta da Copa. Um festival de times reservas, com outras competições tratadas como prioridade por serem mata-mata. Mas o nosso complexo de vira-latas segue fazendo com que muita gente torça contra quem tenta fazer algo diferente, subir o nível.

 

Vinicius Júnior, Flamengo,

Gilvan Souza/Flamengo

É assim com Vinicius Júnior. Negociado muito jovem por uma fortuna com o Real Madrid, deveria fazer com que todos os brasileiros torcessem por ele. Ainda nem completou 18 anos mas já é titular absoluto do Flamengo desde a saída de Éverton para o São Paulo. Pela idade e a pressão, naturalmente vai oscilar. Basta um jogo ruim e de todos os lados aparece alguém dizendo que é “o novo Negueba”. Já tem 4 gols em 6 rodadas no Brasileiro, é o artilheiro do Flamengo no ano com 10 gols e 3 assistências. Mas precisa jogar mais e mais a cada dia e se provar sempre. A maioria torce contra. Afinal, seria muito mais legal dizer que “eu disse que não era isso tudo” quando todos os caminhos apontam para o sucesso do garoto.

 

O mesmo acontece com Fernando Diniz. O técnico de ideias diferentes no país do jogo reativo. O Atlético-PR teve coragem pra apostar e os resultados vieram rapidamente. Quando eles sumiram (são cinco derrotas consecutivas e oito jogos sem vencer), os mesmos que torcem contra Vinicius Júnior vibram nas redes sociais, nas arquibancadas, nos canais de TV e rádio. Os abutres do resultado não podem ver uma derrota e ficam festejando como urubus sob a carniça. É claro que Fernando Diniz por melhor treinador que seja não faz magia. Mas faz seu time jogar com conceitos dos grandes times do mundo. Naturalmente, os adversários se fecham contra ele e adotam uma postura reativa em geral. No Atlético-PR não há material humano para furar retrancas com a mesma naturalidade de City, Bayern, Real Madrid, Barcelona e cia. As dificuldades, claro, serão muito maiores. Não quer dizer que o time não tenha defeitos e que o técnico seja perfeito. Mas é muito mais legal dizer que “ele não era tudo isso” do que torcer pelo sucesso de quem quer fazer algo que os outros não fazem.

 

É natural que o novo cause estranheza. Um garoto de 17 anos valer tanto dinheiro e ser titular de um clube gigante não é o normal. Um técnico que assume um clube de plantel modesto e tenta fazer com que ele jogue como os melhores times do mundo não é o normal. Por aqui, sigo torcendo para que Vinicius Júnior jogue cada vez mais e melhor e que outros como ele possam surgir. Que Fernando Diniz consiga vencer a cultura dos resultados para fazer um trabalho de longo prazo e que outros como ele possam surgir. Mesmo que aí fora as derrotas e tropeços façam muito mais gente feliz.

Opinião
Ataque do Cruzeiro despenca sem atacantes
20 abril, 2018
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Não dá para dizer que foi ruim o empate sem gols com a Universidad do Chile que segundo Mano Menezes recolocou o Cruzeiro na Libertadores. Ainda que a primeira colocação do grupo tenha ficado improvável, o time só depende de seu desempenho para chegar às oitavas de final. É possível ver o copo meio cheio.

 

Mas também não é difícil perceber que após três rodadas na competição que o clube se planejou para disputar o título, a margem de erro não existe mais. Será preciso um returno perfeito para seguir adiante. A começar na próxima semana, contra os mesmos chilenos, no Mineirão.

 

Mais preocupante que os tropeços recentes (apesar de tudo o Cruzeiro segue com o melhor aproveitamento entre os times da Série A em 2018 e tem a melhor defesa), chama a atenção o desempenho do time quando joga sem atacantes. Desde o ano passado, Mano Menezes esboçou algumas vezes a equipe (por escolha ou falta de opção) sem um atacante de fato. As vezes jogou Arrascaeta mais avançado. Em outros momentos, Thiago Neves. Ontem, os dois mais soltos à frente de uma linha de quatro meio-campistas. Raramente funcionou e em geral todos perderam desempenho.

 

Somando todas as partidas de 2017 e 2018, são 95 jogos e 142 gols. O Cruzeiro de Mano Menezes normalmente marca 1,5 gols em média por partida (um a cada 60 minutos). Não é um desempenho encantador mas é compensado pelos excelentes números defensivos. Quando jogou sem um atacante de fato, marcou apenas 4 gols em 688 minutos (um a cada 172 minutos).

 

Existem várias maneiras de jogar e de vencer no futebol. Mas nos 12 jogos em que atuou sem um atacante de fato (seja ele de mais movimentação ou um centro-avante de verdade) o Cruzeiro não foi bem. Ficou sem profundidade, agrediu pouco o adversário, não teve jogadores pisando na área para compensar a ausência de um 9. É preciso deixar de lado esta ideia e buscar outras soluções. Antes que seja tarde.

 

O Cruzeiro de Mano “sem atacantes”

  • Cruzeiro 1×0 Grêmio (Copa do Brasil) – 45 minutos. Time entrou sem atacantes no jogo e só conseguiu balançar as redes na etapa final, após a entrada de Raniel.
  • Cruzeiro 0x0 Flamengo (Copa do Brasil) – 85 minutos. Raniel saiu machucado aos 5 minutos de jogo para a entrada de Arrascaeta. Até o fim o time jogou sem um atacante.
  • Cruzeiro 1×1 Corinthians (Campeonato Brasileiro) – 25 minutos. O Cruzeiro vencia o Corinthians por 1×0 quando Rafael Sóbis deu lugar a Arrascaeta aos 20 do segundo tempo. Sofreu o empate no fim.
  • Cruzeiro 1×3 Atlético-MG (Campeonato Brasileiro) – 69 minutos. Sem um atacante na escalação inicial, saiu na frente com Thiago Neves no primeiro tempo. Quando Rafael Sóbis entrou (24 do segundo tempo) time já perdia por 2×1.
  • Palmeiras 2×2 Cruzeiro (Campeonato Brasileiro) – 28 minutos. Robinho marcou um gol logo após entrar na vaga de Rafael Marques, aos 17 minutos do segundo tempo. No fim, com Lucas Silva no lugar de Arrascaeta acabou levando o empate.
  • Cruzeiro 1×0 Atlético-PR (Campeonato Brasileiro) – 83 minutos. Escalado sem um atacante, marcou o único gol do jogo com Arrascaeta ainda no primeiro tempo. Jonata entrou aos 38 da etapa final.
  • Vitória 1×1 Cruzeiro (Campeonato Brasileiro) – 36 minutos. Perdia por 1×0 quando Jonata saiu machucado aos 38 minutos do primeiro tempo e deu lugar a Élber. Judivan entrou no time aos 29 da etapa final e pouco depois saiu o gol de empate com Alisson.
  • Cruzeiro 0x1 Vasco (Campeonato Brasileiro) – 74 minutos. Escalado sem um atacante, o Cruzeiro já perdia quando Judivan entrou aos 29 do segundo tempo.
  • Botafogo 2×2 Cruzeiro (Campeonato Brasileiro) – 90 minutos. O único jogo completo sem um atacante de ofício. Thiago Neves marcou no primeiro tempo. Arrascaeta no segundo.
  • Atlético-MG 0x1 Cruzeiro (Campeonato Mineiro) – 34 minutos. Vencia por 1×0 e tinha um jogador a menos quando Raniel deu lugar a Lucas Romero. Conseguiu segurar o resultado.
  • Cruzeiro 0x0 Vasco (Libertadores) – 45 minutos. Escalado sem atacante, tentou melhorar o poder ofensivo no intervalo com a entrada de Sassá.
  • Universidad do Chile 0x0 Cruzeiro (Libertadores) – 74 minutos. Escalado sem atacante, criou as melhores chances após a entrada de Sassá, aos 29 do segundo tempo.
Opinião
Finalmente começou o Brasileirão
17 abril, 2018
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Obviamente não consegui ver todos os jogos da primeira rodada do Campeonato Brasileiro. Mas vi mais do que imaginava que conseguiria. E gostei menos do que queria. Mais uma vez a competição começou com estádios vazios e uma constrangedora festa de abertura preparada pela CBF na Arena Corinthians.

 

Começamos com domínio total dos donos da casa: 7 vitórias de mandantes e apenas uma derrota. Mais uma vez, fora de casa ninguém se dispôs a arriscar. O futebol reativo foi a marca dos visitantes que só tentaram sair quando estavam atrás no placar. A única exceção foi o Grêmio. O atual campeão da Libertadores foi o único time que mesmo longe de seus domínios assumiu o controle do jogo desde o início. Teve 58% de posse no Mineirão na vitória sobre o Cruzeiro mesmo jogando boa parte do segundo tempo com um homem a menos. Venceu por 1×0. Se levar a competição a sério do início ao fim, é o principal favorito do blog ao título.

 

O principal destaque coletivo (não só pelo 5×1 que colocou o time na liderança) foi o Atlético-PR. Fernando Diniz mostrou a que veio no primeiro jogo mesmo com um time misto pensando na Copa do Brasil. Única equipe a superar 600 passes certos, o Furacão foi o time que mais finalizou certo (ao lado do Vasco) e teve a maior posse da bola (66%). Controlou amplamente todas as ações e mostrou que deve mesmo ser o time com proposta diferente na competição ao lado do Grêmio.

 

A rodada mostrou algumas caras novas e os times se reforçando após os estaduais. Os dois que mais apresentaram novidades, porém, são os que mais preocupam. O Sport levou 3×0 para o América com cinco novos jogadores. O Paraná teve quatro reforços estreando na derrota por 1×0 para o São Paulo. Eram os dois únicos times que ainda não haviam enfrentado uma equipe de Série A no ano. Começaram mal. O Paraná, apesar de ter deixado algumas boas impressões desde a chegada de Rogério Micale (perdeu a primeira no comando da equipe) tem o pior desempenho da temporada entre todos os times da Série A (44% de aproveitamento) e o pior ataque (1,07 gols por jogo).

 

Poucos grandes jogos. Muitos times esperando para reagir. Pouco público (12 mil pagantes, em média). O Brasileirão começou com mais do mesmo. Esperamos que possa melhorar.