Opinião
A Mano o que não é de Mano
3 março, 2017
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Ainda que os resultados ainda não sejam tão largos (exceção feita ao semi-amador São Francisco-PA na Copa do Brasil), o Cruzeiro de Mano Menezes deixa ótima impressão no início de 2017. Controle de jogo e vitória sem grandes sustos na maioria das partidas disputadas até aqui. Ontem, mais uma, apesar do placar apertado (2 a 1) contra a Caldense no Mineirão. Domínio da posse (57%), quatro vezes mais finalizações certas (12 contra 3) e mais de 500 passes completados.

 

mano_cruzeiro_caldense O que mais chama a atenção no início de trabalho do time celeste é que reúne características pouco comuns em trabalhos passados do seu atual comandante. Reconhecido por times mais reativos, com marcação mais baixa e passes mais longos procurando espaços vazios do lado do campo, Mano muda o “estilo” para se adequar a um elenco bastante qualificado. O Cruzeiro de 2017 é rápido, leve, troca passes curtos por dentro e tem constante troca de posições.

E a tendência é que o jogo leve fique cada vez mais leve com o entrosamento do quarteto de frente formado por Robinho, Thiago Neves, Arrascaeta e Rafael Sóbis. Quatro jogadores com muita capacidade de passe, movimentação e finalização. Que se completam, ainda que sejam bastante parecidos em vários aspectos. A naturalidade dos movimentos tende a deixar o time cada vez mais forte.

 

Mas ainda há problemas, causados justamente pelo excesso de mobilidade. É comum o adversário que sai com velocidade pegar o Cruzeiro desorganizado. Com os laterais avançando ao mesmo tempo para que o trio de meias trabalhe por dentro, e com Cabral lento para realizar a transição defensiva, muitas vezes o time sofre e expõe a dupla de zaga e o capitão Henrique. É verdade que por optar por linhas de passe curtas, normalmente tem muita gente para brigar pela retomada rápida da bola, mas quando não consegue vê lances como o do gol de Rato, no fim do duelo desta quinta.

 

Com Mayke, Dedé e Lucas Silva, potenciais titulares que ainda recuperam a forma física ideal para brigar por uma posição entre os 11, a tendência é que o time ganhe mais leveza com a bola nos pés e mais velocidade para as transições defensivas.

 

Mano é um grande treinador e perceber as características do elenco para moldar seu trabalho é o caminho mais inteligente a seguir. O Cruzeiro ainda precisa de muitos ajustes, mas tende a melhorar de forma exponencial ao longo da temporada e pode voltar a brigar na parte de cima do Campeonato Brasileiro.

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