Opinião
Ataque do Cruzeiro despenca sem atacantes
20 abril, 2018
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Não dá para dizer que foi ruim o empate sem gols com a Universidad do Chile que segundo Mano Menezes recolocou o Cruzeiro na Libertadores. Ainda que a primeira colocação do grupo tenha ficado improvável, o time só depende de seu desempenho para chegar às oitavas de final. É possível ver o copo meio cheio.

 

Mas também não é difícil perceber que após três rodadas na competição que o clube se planejou para disputar o título, a margem de erro não existe mais. Será preciso um returno perfeito para seguir adiante. A começar na próxima semana, contra os mesmos chilenos, no Mineirão.

 

Mais preocupante que os tropeços recentes (apesar de tudo o Cruzeiro segue com o melhor aproveitamento entre os times da Série A em 2018 e tem a melhor defesa), chama a atenção o desempenho do time quando joga sem atacantes. Desde o ano passado, Mano Menezes esboçou algumas vezes a equipe (por escolha ou falta de opção) sem um atacante de fato. As vezes jogou Arrascaeta mais avançado. Em outros momentos, Thiago Neves. Ontem, os dois mais soltos à frente de uma linha de quatro meio-campistas. Raramente funcionou e em geral todos perderam desempenho.

 

Somando todas as partidas de 2017 e 2018, são 95 jogos e 142 gols. O Cruzeiro de Mano Menezes normalmente marca 1,5 gols em média por partida (um a cada 60 minutos). Não é um desempenho encantador mas é compensado pelos excelentes números defensivos. Quando jogou sem um atacante de fato, marcou apenas 4 gols em 688 minutos (um a cada 172 minutos).

 

Existem várias maneiras de jogar e de vencer no futebol. Mas nos 12 jogos em que atuou sem um atacante de fato (seja ele de mais movimentação ou um centro-avante de verdade) o Cruzeiro não foi bem. Ficou sem profundidade, agrediu pouco o adversário, não teve jogadores pisando na área para compensar a ausência de um 9. É preciso deixar de lado esta ideia e buscar outras soluções. Antes que seja tarde.

 

O Cruzeiro de Mano “sem atacantes”

  • Cruzeiro 1×0 Grêmio (Copa do Brasil) – 45 minutos. Time entrou sem atacantes no jogo e só conseguiu balançar as redes na etapa final, após a entrada de Raniel.
  • Cruzeiro 0x0 Flamengo (Copa do Brasil) – 85 minutos. Raniel saiu machucado aos 5 minutos de jogo para a entrada de Arrascaeta. Até o fim o time jogou sem um atacante.
  • Cruzeiro 1×1 Corinthians (Campeonato Brasileiro) – 25 minutos. O Cruzeiro vencia o Corinthians por 1×0 quando Rafael Sóbis deu lugar a Arrascaeta aos 20 do segundo tempo. Sofreu o empate no fim.
  • Cruzeiro 1×3 Atlético-MG (Campeonato Brasileiro) – 69 minutos. Sem um atacante na escalação inicial, saiu na frente com Thiago Neves no primeiro tempo. Quando Rafael Sóbis entrou (24 do segundo tempo) time já perdia por 2×1.
  • Palmeiras 2×2 Cruzeiro (Campeonato Brasileiro) – 28 minutos. Robinho marcou um gol logo após entrar na vaga de Rafael Marques, aos 17 minutos do segundo tempo. No fim, com Lucas Silva no lugar de Arrascaeta acabou levando o empate.
  • Cruzeiro 1×0 Atlético-PR (Campeonato Brasileiro) – 83 minutos. Escalado sem um atacante, marcou o único gol do jogo com Arrascaeta ainda no primeiro tempo. Jonata entrou aos 38 da etapa final.
  • Vitória 1×1 Cruzeiro (Campeonato Brasileiro) – 36 minutos. Perdia por 1×0 quando Jonata saiu machucado aos 38 minutos do primeiro tempo e deu lugar a Élber. Judivan entrou no time aos 29 da etapa final e pouco depois saiu o gol de empate com Alisson.
  • Cruzeiro 0x1 Vasco (Campeonato Brasileiro) – 74 minutos. Escalado sem um atacante, o Cruzeiro já perdia quando Judivan entrou aos 29 do segundo tempo.
  • Botafogo 2×2 Cruzeiro (Campeonato Brasileiro) – 90 minutos. O único jogo completo sem um atacante de ofício. Thiago Neves marcou no primeiro tempo. Arrascaeta no segundo.
  • Atlético-MG 0x1 Cruzeiro (Campeonato Mineiro) – 34 minutos. Vencia por 1×0 e tinha um jogador a menos quando Raniel deu lugar a Lucas Romero. Conseguiu segurar o resultado.
  • Cruzeiro 0x0 Vasco (Libertadores) – 45 minutos. Escalado sem atacante, tentou melhorar o poder ofensivo no intervalo com a entrada de Sassá.
  • Universidad do Chile 0x0 Cruzeiro (Libertadores) – 74 minutos. Escalado sem atacante, criou as melhores chances após a entrada de Sassá, aos 29 do segundo tempo.
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