Opinião
Brasileirão 2018, o campeonato do atraso
6 fevereiro, 2018
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Foi realizado ontem na CBF o conselho técnico para o Campeonato Brasileiro de 2018. Não bastasse o gravíssimo problema do calendário, que mais uma vez passou um ciclo de Copa do Mundo sem dar passos importantes e espremeu pré-temporada e jogos, as decisões tomadas nesta segunda-feira escancararam o quanto estamos e vamos permanecer atrasados enquanto não levarmos o produto que temos a sério.

 

A começar pela liberação mais uma vez das vendas de mando de campo. Ainda que evitar nas últimas cinco rodadas elimine problemas mais graves, é evidente que gera um desequilíbrio na competição se um time jogar mais ou menos partidas que outros em ambiente favorável. Se um clube pequeno leva uma partida para uma cidade onde há mais torcedores do adversário visando a renda, ele naturalmente favorece o “visitante”. O correto é o clube indicar antes do início da competição qual estádio vai utilizar e qual a alternativa em caso de punição ou indisponibilidade do mesmo.

 

Mas o pior foi mesmo a decisão da não utilização do VAR (vídeo árbitro) nesta temporada. Já utilizado com sucesso em muitas das ligas da Europa, ele tem dirimido erros graves com rapidez e o uso está cada vez melhor e mais avançado. O Brasil não ter utilizado no fim do ano passado foi um erro. Deixar passar mais uma temporada é o cúmulo do atraso.

 

É evidente que a CBF é a principal culpada. Ainda que o resultado financeiro da entidade venha caindo nos últimos anos, em nenhuma temporada dos últimos 10 anos o lucro acumulado foi menor do que 40 milhões de reais. Dinheiro mais do que suficiente para ser reinvestido no futebol brasileiro e no principal torneio que ela organiza. Assumir os custos do VAR, mais do que uma obrigação, seria uma maneira de melhorar o produto e valorizar ainda mais a competição.

 

Mas não dá para eximir os clubes de culpa. Pelo contrário e por dois motivos.

 

O primeiro é que agem como cordeirinhos de uma entidade que além de se preocupar pouco com a melhora do produto, tem todos os últimos presidentes envolvidos em casos graves de corrupção e não há o menor sinal de mudança. Quando pensam em assumir a organização de qualquer competição, brigam entre si e acabam fracassando como o caso da Primeira Liga. Já deveriam há anos ter assumido as rédeas do Brasileirão, como acontece nas principais ligas da Europa. Mas são incapazes. Logo, são tão responsáveis quanto a CBF pelo atraso.

 

Mais do que isso, por mais absurdo que seja repassar o custo da adoção do VAR aos clubes, era necessário que eles fizessem o investimento. O custo de um erro grave pode ser muito maior do que um milhão, custo estimado (e superfaturad0) para a instalação em 2018. Um clube que ao invés da 16ª posição, ficar em 17º por conta do rebaixamento, além de um prêmio superior a 700 mil reais ainda perderá mídia, patrocínios e várias outras receitas jogando a segunda divisão no ano seguinte. Um time que ficar em segundo por conta de um impedimento mal marcado, pode perder mais de R$7 milhões.

 

No fim, o Brasileirão será mais uma vez o do atraso em 2018. Sem VAR, sem pré-temporada, com jogos acumulados e times cheios de problemas. Clubes vão culpar a CBF que vai culpar os clubes. No fundo, ninguém está disposto a buscar soluções. Quem sabe em 2019…

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