Opinião
Clássico mineiro mostra reflexos da importância dos processos
4 março, 2018
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O primeiro encontro entre Atlético-MG e Cruzeiro em 2018 significava pouco para o Campeonato Mineiro. Com oito classificados em 12 participantes e com a equipe celeste disparada na primeira posição, nem a tradicional briga pela vantagem dos dois resultados iguais estava ali. Ainda assim, importante notar como as equipes reagiriam após os primeiros resultados do ano.

 

Cruzeiro, Atlético-MG, Independência

Yuri Edmundo/BP Filmes

Futebol tem várias vertentes e fazer com que um time atinja o ápice de sua produção demanda tempo. Hoje o Manchester City de Guardiola trocou mais de 900 passes certos e dominou amplamente o Chelsea na vitória que decretou de fato a passagem de bastão na Inglaterra. O técnico espanhol, como de costume, mostrou na segunda temporada todo o repertório que tem. Paciência e trabalho.

 

Evidentemente é impossível, por vários fatores, comparar desempenho de Cruzeiro e Manchester City. Mas o time reativo de 2017, campeão da Copa do Brasil, que tinha dificuldade diante de adversários fechados, está tentando adicionar algo novo ao seu repertório em 2018. É um time que tenta ficar mais com a bola, que ataca com mais jogadores, que tenta assumir o protagonismo da bola além dos espaços, uma tradição nos trabalhos de Mano. Ainda que não tenha feito jogo brilhante, mostrou mais interesse do que o Atlético enquanto teve onze jogadores em campo. Criou pouco porque Thiago Neves ainda está longe do ritmo ideal e porque exagerou nos erros nas tomadas de decisão. Acertou no início do segundo tempo, na paciência de Cabral, a enfiada precisa de Rafinha furando a defesa e Raniel mostrando poder de decisão.

 

Pouco depois, teve Edilson bem expulso em um jogo que a arbitragem de Cleisson Veloso tornou mais difícil do que deveria. Dali em diante, mostrou pragmatismo, organização, concentração e inteligência. Se fechou praticamente sem oferecer chances ao rival para garantir o justo 1×0.

 

Do outro lado, Thiago Larghi ainda nem é o treinador oficialmente. Está dando os primeiros passos na carreira enquanto a diretoria tateia o mercado em busca de um comandante, ainda sequer sem um perfil bem traçado. Com ele, já foi possível notar um time mais organizado, que sofre poucos gols e que fecha linhas de passe para jogar em transições rápidas. Tem sido eficiente, mas não vai funcionar em todos os jogos. Principalmente quando sair atrás, como hoje.

 

Se não dá para dizer que o time do interino está pronto com tanto tempo dentro da estratégia traçada, é mais difícil ainda imaginar que ele tenha repertórios diferentes. Em desvantagem e com um a mais, o Galo exagerou nos cruzamentos e não teve capacidade para criar espaços mesmo com as entradas dos meias Thomas Andrade e Cazares. Tocou, tocou, sem ameaçar Fábio. Processos. Não se faz um time do dia pra noite.

 

O jogo poderia terminar empatado se a bola de Leonardo Silva que parou no travessão tivesse ido na direção do gol. 90 minutos não dizem tudo sobre times, até porque são muitas circunstâncias que influenciam no resultado final de uma partida. Talvez a distância na tabela da primeira fase do Campeonato Mineiro diga mais sobre a distância entre Atlético e Cruzeiro hoje. Ou o tempo que Mano Menezes tem a frente do clube celeste e quantas vezes o rival trocou de treinador no período. Tudo isso mostrou reflexos em campo nesta manhã/tarde no Independência.

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2 comentários

  • Gleydson disse:

    Só acho errado dizer que poderia ter terminado empatado, pela bola na trave do Leonardo Silva, sendo que, seguindo esta lógica, o jogo deveria ter ficado 2 x 1 para o Cruzeiro, visto que também jogamos a bola na trave.

    Apesar disso, excelente texto!

    • Como você mesmo disse no seu comentário, eu disse que PODERIA e não que DEVERIA ter terminado empatado. E que o gol do Leonardo Silva, caso saísse, igualaria o placar mas não reduziria a distância entre os times. Abraços e obrigado pela leitura e comentário.

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