Opinião
Cruzeiro de Mano vence jogo de xadrez para a final
24 agosto, 2017
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A casa cheia para o mandante, a vantagem mínima para o visitante. Equilíbrio extremo no confronto decisivo da semifinal da Copa do Brasil no Mineirão. Ao contrário do “louco” 3 a 3 do Campeonato Brasileiro, Cruzeiro e Grêmio fizeram um jogo de xadrez. Qualquer deslize, por menor que fosse, poderia ser fatal. Erraram pouco. Não por acaso, a definição só veio nos pênaltis e no pé salvador de Fábio para pegar a cobrança de Luan.

 

Cruzeiro, Grêmio, Copa do Brasil, Xadrez, Hudson

Washington Alves/Light Press

No duelo de estratégias, cada detalhe pode e faz diferença. Como a bola perfeita de Luan para Barrios logo aos 4 minutos que poderia ter mudado completamente o destino do jogo não fosse a grande defesa do goleiro cruzeirense. Por mais que seja serviço de pura imaginação, é difícil em um duelo tão igual pensar que o Cruzeiro poderia reverter um gol tão cedo. O Grêmio de Renato seguiu jogando como faz sempre, dentro ou fora de casa: acelerando quando havia espaço, controlando o tempo com passes curtos quando não havia. Passou o primeiro tempo praticamente sem sustos.

Muito porque a estratégia de Mano não deu certo. O erro na escalação tirou seu melhor jogador da faixa onde rende mais. Thiago Neves ficou perdido entre os zagueiros e passou a maior parte do tempo de costas para o gol. É verdade que a ideia de abrir Élber e Alisson foi boa e que aos poucos o Cruzeiro foi empurrando o adversário para trás e aumentando seu volume de jogo. Foi bastante superior já nos 15 minutos finais da primeira etapa.

 

Faltava o algo mais. Que veio no intervalo com Raniel na vaga de Élber. Thiago Neves entrou no jogo e o Cruzeiro foi junto. Com Henrique perfeito na leitura de espaços para ser o líder em desarmes do jogo e impedir que o adversário ligasse o perigoso contra-ataque, os donos da casa amassaram. Até fazer o gol com Hudson de cabeça. E quase virar com Raniel e Arrascaeta. Ainda que a pressão surtisse efeito apenas nas bolas paradas, com a vantagem no placar que levava o jogo para os pênaltis os celestes eram donos de todas as ações. O Grêmio não conseguiu jogar.

 

Mas teve méritos para esfriar o jogo com a experiência e com toque de bola. Aos poucos o ímpeto do Cruzeiro diminuiu e a carga dramática fez os times não quererem mais arriscar, ainda que as mudanças dos técnicos tenham indicado o contrário. No fim, a justa decisão por pênaltis para provar o quão igual foi o confronto: se o Cruzeiro foi dono das ações por mais tempo nos 180 minutos, foi o Grêmio quem desperdiçou as melhores chances de marcar nos dois jogos.

 

Da marca fatal não há estratégia. E sim frieza e controle emocional. Que o Cruzeiro teve mais, para vencer por três a dois e confirmar a vaga em mais uma decisão. Mano Menezes que errou na escalação, teve uma semana quase perfeita de trabalho. Acertou em cheio ao mandar titulares a campo no fim de semana e reduzir a pressão para o jogo de quarta colocando o time no G-6. Percebeu e corrigiu a tempo no jogo de ontem. Teve um time concentrado e confiante. Que sai ainda mais fortalecido para a grande decisão. Cheio de méritos.

 

Do outro lado, não é de bom grado dizer agora que Renato Gaúcho errou ao deixar de lado o Campeonato Brasileiro. Mas este blog já dizia que não há necessidade de “poupar pontos” na principal competição do país. O favorito ficou pelo caminho e agora tem uma pressão ainda maior para a Libertadores. Perdeu no jogo de xadrez e nos mínimos detalhes que decidiram a classificação para a final.

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