Opinião
Um balanço da dança das cadeiras em 2017
5 dezembro, 2017
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A temporada 2017 foi mais uma onde os técnicos não tiveram vida fácil nem emprego firme no futebol brasileiro. Ainda que desta vez tenham sido poucas as mudanças apostando no sprint final, foram ao todo 28 trocas no comando dos times da Série A. De maio em diante, após o início do Campeonato Brasileiro, foram 22 em 38 rodadas. Foram 41 comandantes ao todo girando entre os times na temporada.

 

Dança das cadeiras, Degola,

Só sete times começaram e terminaram o ano com o mesmo treinador. Um deles, o Sport, teve Daniel Paulista no início e fim da temporada, mas contratou Ney Franco e Vanderlei Luxemburgo ao longo do caminho. Ou seja, apenas seis times não fizeram mudança alguma: Avaí (Claudinei Oliveira), Botafogo (Jair Ventura), Corinthians (Fábio Carille), Cruzeiro (Mano Menezes), Fluminense (Abel Braga) e Grêmio (Renato Gaúcho).

Vágner Mancini, Carpegiani, Zé Ricardo, Eduardo Baptista e Dorival Júnior também começaram e terminaram o ano comandando um time da Série A. Ou seja: dos 20 técnicos que treinavam os 20 times da elite em janeiro, 12 chegaram a dezembro com um contrato garantido. Apesar do excesso de trocas, normalmente são os mesmos nomes ocupando as cadeiras.

 

A temporada 2017 também foi da aposta em interinos, muitas delas mal sucedidas. O Atlético-GO resolveu apostar em João Paulo Sanches e seguiu com ele mesmo com o rebaixamento confirmado à Série B. O Bahia tentou apostar em Preto Casagrande, que durou menos de dois meses no cargo. Na Chapecoense, Emerson Cris não chegou a ser oficialmente efetivado mas ficou um mês como técnico do time. Pachequinho foi outro que não ficou dois meses como treinador do Coritiba. No vice-campeão, Palmeiras, Alberto Valentim terminou a temporada mas não será o comandante em 2018.

 

Das 28 trocas, quatro escancaram a falta total de convicção dos clubes, pois não duraram dois meses. Petkovic ficou apenas 32 dias no comando do Vitória. Doriva teve 46 no Atlético-GO. Eduardo Baptista (único a trabalhar em três times da Série A no ano), ficou só 49 dias no Atlético-PR. E Alexandre Gallo teve só 51 dias no Vitória. Poderíamos contabilizar ainda Carpegiani, demitido com 58 dias de 2017 no Coritiba, mas ele vinha de um contrato do ano anterior.

 

É evidente que há problemas dos dois lados. Técnicos com trabalhos inconsistentes e que gerem mal a carreira. Clubes sem ideia do que querem, preocupados apenas com os resultados. Fábio Carille, Mano Menezes e Renato Gaúcho, os principais vencedores da temporada, vem de trabalhos mais longos em seus clubes. Mas casos como estes sempre deixam a pergunta no ar: foram campeões porque estão há mais tempo ou estão há mais tempo porque foram campeões?

 

Na roda gigante dos técnicos em 2017, o grande vencedor é o Avaí. Manteve Claudinei Oliveira, que levou o time à Série A, até o fim da temporada mesmo com o rebaixamento. Acreditou no trabalho que foi bom e não salvou o clube por um ponto (ou pelo número de vitórias). Fez um trabalho digno, dentro das pretensões do clube. Saber o que espera e o verdadeiro campeonato que disputa é fundamental e o time avaiano deveria ser regra, não exceção.

 

Que venha 2018. A dança das cadeiras já começou.

 

Abaixo a lista com todos os técnicos da Série A em 2017 e os times em que trabalharam:

 

Abel Braga (Fluminense)

Alberto Valentim (Palmeiras)

Alexandre Gallo (Vitória)

Argel (Vitória)

Carpegiani (Bahia e Coritiba)

Claudinei Oliveira (Avaí)

Cristóvão Borges (Vasco)

Cuca (Palmeiras)

Daniel Paulista (Sport)

Doriva (Atlético-GO)

Dorival Júnior (Santos e São Paulo)

Eduardo Baptista (Atlético-PR, Palmeiras e Ponte Preta)

Emerson Cris (Chapecoense)

Fabiano Soares (Atlético-PR)

Fábio Carille (Corinthians)

Felipe Moreira (Ponte Preta)

Gilson Kleina (Ponte Preta e Chapecoense)

Guto Ferreira (Bahia)

Jair Ventura (Botafogo)

João Paulo Sanches (Atlético-GO)

Jorginho (Bahia)

Levir Culpi (Santos)

Mano Menezes (Cruzeiro)

Marcelo Cabo (Atlético-GO)

Marcelo Oliveira (Coritiba)

Milton Mendes (Vasco)

Ney Franco (Sport)

Osvaldo de Oliveira (Atlético-MG)

Pachequinho (Coritiba)

Paulo Autuori (Atlético-PR)

Petkovic (Vitória)

Preto Casagrande (Bahia)

Reinaldo Rueda (Flamengo)

Renato Gaúcho (Grêmio)

Roger Machado (Atlético-MG)

Rogério Ceni (São Paulo)

Rogério Micale (Atlético-MG)

Vágner Mancini (Chapecoense e Vitória)

Vanderlei Luxemburgo (Sport)

Vinicius Eutrópio (Chapecoense)

Zé Ricardo (Flamengo e Vasco)

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