Opinião
Defeitos do Cruzeiro estão ligados ao modelo
5 junho, 2017
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No início de março, usei este espaço para dizer que o Cruzeiro não tinha a cara de Mano Menezes. Não era uma crítica ao time nem ao treinador. Pelo contrário. Naquele momento, ninguém no Brasil tinha um jogo mais fluido. O tempo passou, alguns desfalques importantes vieram, e hoje é possível dizer que o modelo de jogo do treinador está ali. E agora, é uma crítica.

 

Mano Menezes, Cruzeiro, Chapecoense, Campeonato Brasileiro

Washington Alves / Cruzeiro

Contra a Chapecoense, mais uma atuação pobre. Aliás, é difícil lembrar o último grande jogo deste time. Na Vila, contra o Santos, fez uma partida eficiente e conseguiu um resultado espetacular. O mesmo contra o São Paulo, no Morumbi, pela Copa do Brasil. Mas o desempenho não foi brilhante, longe disso. Um elenco com estas peças poderia deixar melhor impressão, principalmente quando joga em Belo Horizonte.

 

Mas aquela equipe com trocas constantes de posição, jogo de passes curtos, controle e domínio ficou no passado. Hoje o Cruzeiro tem a cara de Mano Menezes. Do que ele faz melhor e também pior. É um time organizado, mas é  previsível demais. É uma equipe segura, mas que não consegue controlar e dominar os adversários.

 

Culpa da linha defensiva muito baixa, que dá campo ao adversário e que faz seu time recuar demais. Quando retoma a bola é lento na transição ofensiva e tem pouca fluência a mobilidade no jogo ofensivo. Ainda que a ideia seja tirar Ábila de qualquer maneira do time titular, mesmo que os números peçam o contrário, o “nove” (seja Sóbis ou Rafael Marques) se movimenta e participa pouco demais do jogo.

 

Não há como tirar os méritos da líder Chapecoense neste domingo. Jogo perfeito, do início ao fim. Compactação total, contando com a ajuda dos dois pontas para bloquear os lados do campo, atraindo os laterais do Cruzeiro para puxar os contra-ataques justamente neste setor. Brilhante atuação de Rossi em um time organizado e que sabe o que quer. Tem um modelo até parecido de jogo, mas que combina melhor com as peças que tem a disposição.

 

Mas não é de ontem que o Cruzeiro deve futebol ao seu torcedor. E pode mais, mas precisa soltar o freio de mão. Ser um time organizado é uma qualidade. Uma equipe presa é defeito. Hoje, é mais refém do que se aproveita de como Mano pretende fazer o time jogar.

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