Opinião
Diniz faz bem e é necessário
21 fevereiro, 2018
0
, , ,

Já falei várias vezes aqui no blog e no Twitter: existem várias formas de jogar futebol. É um esporte complexo e cheio de possibilidades. No último Campeonato Brasileiro, no entanto, praticamente todos os times optaram por um estilo parecido. Linhas recuadas, transições rápidas, a espera de erros do adversário. Um festival de jogos chatos e ruins, ainda que tivéssemos alguns times muito bons em suas propostas. Fernando Diniz faz diferente. Quem contrata precisa saber que vai correr riscos.

 

Atlético-PR, Fernando Diniz, Copa do Brasil,

Joka Madruga/Futura Press

Como correu o Atlético-PR no eletrizante 5×4 contra o Tubarão pela segunda fase da Copa do Brasil. Não seria um absurdo se os catarinenses tivessem ficado com a vaga, ainda que fosse uma tremenda injustiça. Um grande jogo. O melhor da temporada 2018 no futebol brasileiro até agora.

 

É verdade que o primeiro tempo sem nenhum gol teve mais a cara de Fernando Diniz. O Atlético-PR manteve o 3-4-3 da estreia mas mostrou evolução em alguns aspectos importantes (foi só o segundo jogo do time no ano). Teve apenas um susto e controlou amplamente o adversário. Teve um pênalti não marcado e perdeu pelo menos três ótimas chances de abrir o placar. Jogou com qualidade e consistência. Mais uma vez teve os zagueiros ajudando na construção (vale pensar em um volante ou lateral fazendo a função para melhorar a velocidade e o passe), muitos passes curtos, pressão na saída de bola e todos participando das ações ofensivas.

 

O segundo tempo teve mais gols e menos controle. Bérgson melhorou a presença na frente após o primeiro tempo fraco de Ribamar e o gol saiu em ótimo passe de Guilherme, o melhor em campo, para a infiltração de Matheus Rosseto, único “volante” do time mas que pisa a área a todo instante. Daí em diante, uma loucura total. O Atlético-PR foi trágico na bola aérea defensiva e levou mais gols do que poderia levar. Mas em nenhum momento abandonou o seu estilo, o seu modelo e as suas ideias. Seguiu atacando, se arriscando, jogando. Sofreu com as viradas e buscou a vitória épica nos acréscimos com Gedoz. O perfil de Diniz exige mais controle, mas quando as coisas fogem dele não dá para abandonar as outras ideias.

 

Os abutres do resultado ficaram a espera de uma derrota do Furacão para condenar o treinador. Sem olhar para o todo: 33 finalizações, 65% de posse, mais de 550 passes com 95% de aproveitamento. O Atlético-PR jogou muito melhor do que o placar apertado é capaz de mostrar. Ter um treinador como ele traz riscos. Mas é bom e faz bem para um futebol que precisa de mais gente disposta a jogar.

0

About author

Itens relacionados

/ Você também pode verificar esses itens

Segue o looping da reciprocidade negativa em Minas

Já falei várias vezes aqui no blog e no Twitter:...

Leia mais

Santos é o único culpado por eliminação dura na Libertadores

Já falei várias vezes aqui no blog e no Twitter:...

Leia mais

Não é só técnicos que trocamos além da conta

Já falei várias vezes aqui no blog e no Twitter:...

Leia mais

0 comentários

Deixe uma resposta