Opinião
Nossa distância deveria ser maior, como na Europa
15 setembro, 2017
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O início da fase de grupos da Liga dos Campeões da Europa escancarou mais uma vez algo que me incomoda faz tempo e que resolvi escrever graças à bola levantada pelo amigo Paulo Massini no Quatro em Campo da Rádio CBN. Na terça, acompanhava pela TV a goleada do PSG sobre o Celtic durante o Transamérica Esportes. Ouvi de companheiros, algo que se vê sempre nas redes sociais e em outros debates futebolísticos: “não fez mais que a obrigação, o abismo financeiro entre os dois é enorme”. O mesmo discurso será visto a cada rodada dos campeonatos Francês, Alemão e Espanhol.

 

Santos, Barcelona, Libertadores, Distância,

AP

Chegou a noite de quarta e os times brasileiros sofreram na Libertadores e Sul-Americana. O Santos sofreu para empatar com o Barcelona-EQU (que já eliminou o Palmeiras) e quase levou a virada no fim. O Corinthians em casa não passou de um empate contra o Racing-ARG. Só em 2017 tivemos o Atlético-MG eliminado pelo Jorge Wilsterman-BOL, o Flamengo que nem passou da primeira fase da Libertadores, o Cruzeiro caindo na Sul-Americana para o Nacional-PAR e o São Paulo fazendo o mesmo contra o Defensa y Justicia-ARG.

Vamos comparar?

 

 

Na temporada 2015/2016, o Barcelona teve 679 milhões de euros em receitas. O Levante, lanterna do Campeonato Espanhol naquela temporada, teve orçamento de 40 milhões. Pouco mais de 5%.

 

Para 2017, o Flamengo aprovou um orçamento de 632 milhões de reais. O orçamento aprovado pelo Avaí para esta temporada foi de 46 milhões de reais. Pouco mais de 5%. O San Lorenzo-ARG, que deixou para trás os cariocas na primeira fase da Libertadores, teve orçamento em 2016 de cerca de 450 milhões de pesos argentinos, 80 milhões de reais na cotação atual. Pouco mais de 10%.

 

Porque tratamos como obrigação a facilidade com que os grandes clubes da Europa vencem os adversários de orçamento inferior e aqui vemos com naturalidade os clubes esbarrarem em desafiantes com poderio financeiro proporcionalmente tão menor quanto? Nem precisaremos entrar na comparação com os adversários dos campeonatos estaduais, que não chegam a 0,5% do orçamento dos grandes clubes e estão sempre aprontando surpresas.

 

Gastamos mal o dinheiro que não para de aumentar. As receitas dos principais clubes brasileiros tem crescido exponencialmente nos últimos anos mas o desenvolvimento em campo não acompanha. Mudanças constantes de técnico e de direção. Elencos inchados e mal avaliados.

 

Já passou da hora de sermos mais rigorosos. Futebol é um esporte encantador pela imprevisibilidade. Mas a distância dos clubes brasileiros para a maioria de seus rivais no continente não pode ser tão pequena como é.

 

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