Opinião
Eduardo Baptista e o insuportável imediatismo
14 fevereiro, 2017
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Foram apenas dois jogos oficiais. Uma derrota. E já surgem os primeiros questionamentos ao trabalho de Eduardo Baptista no Palmeiras. Imprensa, torcida e até mesmo jogadores, como o capitão Dudu.

 

eduardo_baptista_palmeiras Se há algo de positivo nos Campeonatos Estaduais para o futebol brasileiro, é justamente o período para técnicos em constante rotação de emprego, conhecerem o elenco e fazerem testes. É a pré-temporada real, já que o período de treinos antes dos jogos oficiais segue muito abaixo do ideal. Mas como testar se o imediatismo da cobrança é tão grande? Como experimentar algo diferente se um tropeço pode servir para pedirem sua cabeça?

Eduardo Baptista e Cuca são quase que completamente opostos. Pensam o futebol e seus times de maneiras bastante diferentes em quase todos os aspectos. Não dá para contratar um achando que vai dar continuidade ao que fez o outro. Não dá para trabalhar com um esperando o mesmo que se esperava do outro. E mais: não dá para supor que como um passe de mágica, tudo vai acontecer de uma hora para a outra.

 

É claro que o novo técnico do Palmeiras precisa entender todos os contextos. Chegou a um clube campeão brasileiro e que segue investindo muito dinheiro no futebol. Como é impossível mudar tudo da noite para o dia, ele precisa ter cautela nas alterações drásticas. Fazê-la aos poucos, ainda que fuja de seu estilo.

 

No livro Guardiola Confidencial, o autor conta que Guardiola deixa para a segunda temporada boa parte do seu “idioma”. Sabe que os jogadores terão dificuldade para lidar com tantas informações em apenas um ano de trabalho. Mas ali, há uma enorme segurança por parte do treinador espanhol de que haverá um segundo ano de contrato respeitado. Baptista pode não chegar ao terceiro mês se os resultados não aparecerem.

 

Dizemos muito que os técnicos brasileiros estão ultrapassados mas a verdade é que eles tem muito pouco tempo e menos ainda segurança para trabalhar. Se o ambiente não é favorável para que ele aplique as mudanças, tudo fica mais difícil. A torcida passa a cobrar mais cedo, a imprensa passa a criticar mais cedo e o jogador pode desistir de compras as ideias do comandante a espera de uma troca no cargo. Ou algo ainda pior: o técnico pode deixar de lado seus conceitos e convicções em busca dos resultados, e a tendência é que se perca ainda mais.

 

A temporada 2017 mal começou e o imediatismo insuportável do futebol brasileiro já começa a fazer as primeiras vítimas. Deixem Eduardo trabalhar.

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