Opinião
Exemplo de Roger não deveria ser exceção
8 agosto, 2017
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O futebol brasileiro continua sendo uma máquina de moer técnicos. Mal passamos a metade do ano e já chegamos a 21 trocas de comando (mais de uma por clube na Série A). Desde o início do Campeonato Brasileiro, são 15 alterações em apenas 19 rodadas.

 

Zé Ricardo, Roger Machado, Flamengo, Exceção,

Thiago Ribeiro/AGIF

O último foi Zé Ricardo, até então o técnico mais longevo entre os times da elite nacional. Durou um ano e dois meses a sua passagem pelo Flamengo. Fez excelente trabalho no ano passado, mas em determinado momento parece ter perdido o rumo. O capitulo final: mudanças que não condiziam com seu discurso e derrota em casa para o Vitória. Fatal.

O trabalho de Zé Ricardo em 2017 não foi bom. Eliminado na primeira fase da Libertadores e fora da briga pelo título Brasileiro (embora não dê para ignorar a campanha “perfeita” do Corinthians). Ainda assim, o time foi campeão estadual invicto e está nas semifinais da Copa do Brasil com toda a condição de brigar pelo título. Mas é verdade que o desgaste na relação era evidente e que o desempenho em campo não trazia confiança para a manutenção. É uma decisão “entendível” a demissão.

 

Procurado, Roger Machado sequer aceitou abrir negociação. Perde uma grande oportunidade, é verdade. O Flamengo está entre os maiores clubes do país, tem ótimo elenco, e está há quatro jogos de uma conquista nacional. Após a passagem ruim pelo Atlético-MG, o treinador poderia recolocar seu nome entre os principais do país e deixar de ser uma aposta. Mas foi ele quem não quis apostar. Roger sabe que a máquina de moer técnicos poderia acabar com ele em caso de eliminação para o rival Botafogo, por exemplo, na Copa do Brasil. Optou por não fazer parte da dança das cadeiras.

 

Treinadores reclamam da pouca continuidade e do excesso de mudanças. Mas estão sempre com o bolso cheio das multas contratuais e prontos para aceitar a próxima proposta. Roger é a exceção mas não deveria ser se a ideia é ter mais estabilidade. Dos 20 clubes da Série A só Avaí, Botafogo, Corinthians, Cruzeiro, Fluminense e Grêmio mantém o treinador que começou o ano.

 

E os números só vão mudar quando a postura de todos os envolvidos mudar. Inclusive os treinadores.

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