Opinião
É fácil explicar os baixos públicos do Brasileirão
31 maio, 2017
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Após três rodadas do Brasileirão, a média de público de acordo com levantamento do Globoesporte.com é de 14.127 pagantes por partida. Número baixo comparado a todas as outras principais ligas do planeta. Que fica ainda menor se levarmos em conta que a ocupação média dos estádios é de apenas 34%.

 

Ilha do Retiro, Público pequeno, Campeonato Brasileiro

Daniel Gomes – Globoesporte.com

Dos 20 clubes da competição, apenas um quarto deles (ou cinco no total) conseguem ocupar mais da metade dos assentos disponíveis. Destes, Vasco e Atlético-MG jogam em estádio com capacidade reduzida apesar das enormes torcidas. Sobram cadeiras como sobram motivos para não ir ao estádio.

São dezenas de explicações possíveis. Falta segurança, transporte e conforto. O nível do jogo não é tão bom assim. O preço do ingresso é alto e nem sempre é fácil comprar (quase todos os clubes só vendem pela internet para quem é sócio). Mas não é só isso.

 

Ontem a noite pairava no ar uma enorme indecisão. Onde vão jogar Flamengo e Botafogo, no clássico deste fim de semana? O jogo de domingo às 11h que normalmente atrai grandes públicos não tinha local definido cinco dias antes da partida. Poderia ser em Volta Redonda, na Arena da Ilha ou até mesmo no Maracanã. Pela lei, a CBF foi obrigada a designar a partida por Volta Redonda, caso contrário, a definição seria adiada mais uma vez.

 

Como o clube pode planejar vender ingressos com antecedência se não há definição sequer sobre o estádio em que vai atuar? Como o torcedor se planeja se não sabe onde o seu time vai jogar? Como conquistar público de turismo se não se sabe nem em que cidade será a partida?

 

Não por acaso, sete dos 10 times com as maiores médias de público do país em 2017 são aqueles onde é possível afirmar onde jogarão (pela ordem, Palmeiras, São Paulo, Corinthians, Atlético-PR, Cruzeiro, Grêmio e Internacional) e fizeram todas as partidas como mandante no mesmo estádio (exceto por cumprimento de punição).

 

Melhorar a organização é o primeiro passo para atrair público. Melhorar a precificação, o conforto, o transporte, a segurança e o jogo vem logo na sequência. Mas mesmo o melhor dos espetáculos não sobrevive a tamanha indecisão. É fácil explicar os estádios vazios por aqui.

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