Opinião
Flamengo precisa parar de tratar toda derrota como fracasso
28 setembro, 2018
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É louvável do ponto de vista financeiro e organizacional a gestão de Eduardo Bandeira de Mello a frente do Flamengo. Talvez por neste aspecto sofrer menos pressão. No futebol não é possível dizer o mesmo. Culpa do presidente? Claro. Mas não só dele. Em campo, o clube só pode mudar quando sair do círculo vicioso de tratar toda derrota como fracasso e respeitar os processos e os adversários. Torcida e imprensa também precisam entender.

 

Flamengo, Maurício Barbieri,

Marcos Ribolli/GloboEsporte.com

Como dizer que o trabalho de um treinador que perdeu apenas 8 de 39 jogos é ruim? Quem fez a avaliação do trabalho de Maurício Barbieri a frente do clube nestes últimos meses levou quais quesitos em consideração?

 

Em 22 participações na Copa do Brasil, o Flamengo chegou à final em sete. É um número alto mas ainda assim representa menos de um terço das vezes em que disputou. Barbieri bateu à porta levando o time à semifinal e sendo eliminado por um gol em um jogo bastante igual diante do Corinthians. Como considerar esta participação um fracasso?

 

Em 15 participações na Libertadores, o Flamengo ultrapassou as oitavas de final seis vezes. Quase o mesmo número de vezes em que caiu na fase de grupos (cinco). Barbieri levou o time às oitavas de final e acabou eliminado pelo Cruzeiro vencendo fora de casa, também por uma diferença de apenas um gol. Como considerar esta participação um fracasso?

 

Em 58 participações no Campeonato Brasileiro (considerando desde a Taça Brasil de 1959), só nove vezes o Flamengo ficou entre os quatro primeiros colocados, atual posição do time na tabela. Faltando 36 pontos em disputa, a diferença para o líder é de apenas três. É possível brigar até o fim, na pior das hipóteses. Como considerar esta participação um fracasso?

 

Cobrar títulos em um país com o futebol tão nivelado (por milhares de fatores) é querer trocar tudo a cada derrota. Assim, não se vai para frente. O trabalho de Barbieri dava sinais de queda porque o treinador não tinha mais de onde tirar ideias ou porque o respaldo diminui a cada derrota, mesmo nas que devem ser consideradas como parte do jogo?

 

Eduardo Bandeira de Mello terminará sua gestão com 14 treinadores em seis anos. Curiosamente, fechará o ciclo com o meso nome que começou: Dorival Júnior. Uma grande ciranda de quem cedeu a pressão nas derrotas e foi incapaz de manter a mesma sobriedade que teve em outras áreas da gestão. É culpado, mas não o único. O Flamengo precisa entender que derrotas fazem parte do jogo se quiser vencê-lo.

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