Opinião
Futebol não permite desaforo, clássico ainda menos
23 outubro, 2017
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O primeiro tempo do último clássico entre Cruzeiro e Atlético em 2017 mostrou o quanto coletivamente o time de Mano Menezes está a frente do rival. Mais uma vez sem um centroavante, o treinador do Cruzeiro apostou na leveza de Arrascaeta, revezando o posicionamento do jogador com Thiago Neves na frente. Demorou para encaixar o jogo mas assumiu o controle depois dos 15 minutos iniciais roubando a bola perto do meio-campo e colocando velocidade e superioridade pelos lados, principalmente o esquerdo. O Galo, que começou tentando reduzir o ritmo com passes curtos, aos poucos se viu encurralado e passou a errar muito. Thiago Neves fez o gol do Cruzeiro que teve ainda duas outras chances claras para ampliar, com Diogo Barbosa e Alisson, os melhores do primeiro tempo.

 

Atlético, Cruzeiro, clássico, Robinho,

Daniel Teobaldo/Futura Press

Na etapa final, Oswaldo Oliveira acertou nas mudanças. Tirou o time de trás com Yago, que dava botes no campo de ataque e melhorou a saída de bola se aproximando dos laterais e dando opção. Ainda que o Cruzeiro seguisse com o controle absoluto de uma partida que parecia se encaminhar sem sustos, o Atlético preparava o contragolpe. Na mesma medida que os donos da casa desaceleraram, Oswaldo Oliveira colocou velocidade com Cazares, deixando Robinho aberto pela esquerda no mano a mano com Ezequiel. Uma jogada bem trabalhada, com passes curtos e paciência, e o gol saiu: o baixinho Otero de cabeça aproveitou a falha coletiva da defesa do Cruzeiro.

Um gol no futebol e tudo muda. A exemplo do que já havia acontecido no turno, no Independência, o Cruzeiro que não conseguiu transformar seu domínio em uma boa vantagem sentiu. Mano mexeu mal transformando seu time em uma salada de atacantes e o Galo matou o jogo com dois gols de Robinho. Perto da área e do gol, ele ainda pode ser muito decisivo. Foi fatal. O Atlético só não fez o quarto porque Cazares foi displicente na hora de finalizar um dos muitos contra-ataques que o time teve espaço para puxar.

 

O Cruzeiro paga o preço mais uma vez por se contentar com o mínimo. Ganhou a Copa do Brasil com muitos méritos mas sempre no limite. Não é um time que mostra instinto para fazer o segundo, o terceiro gol e definir rápido os jogos que parecem em suas mãos. E em uma bola o adversário pode sempre voltar para a disputa.

 

Como fez o Atlético, que jogou o clássico com inteligência e paciência. Soube sofrer ficando menos tempo com a bola mas foi letal quando chegou na área adversária. Teve o ímpeto e matou rapidamente o jogo quando percebeu que o contexto era favorável.

 

Enquanto o time de Mano dá cada vez mais a impressão de já ter a cabeça em 2018, o Atlético deixa mais uma vez a sensação de que ainda pode fazer algo em 2017. Resta saber se não fará como nas outras vezes e jogará ducha de água fria em sua torcida. O futebol não permite desaforo. E ontem mostrou isso mais uma vez no Mineirão.

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1 comentário

  • Li o texto procurando o desaforo mas não achei.

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