Opinião
Geração 2000 merece atenção e carinho
20 março, 2017
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Ser campeão sul-americano para uma seleção que venceu 12 das 17 edições do torneio pode não representar tanta coisa. É absolutamente natural que seleções campeãs na base “garantam” poucos nomes no time principal no futuro, principalmente se tratando da categoria sub-17, que ainda depende de um bom tempo de maturação. Mas a forma como o Brasil confirmou o título neste domingo chama a atenção para uma geração que merece atenção: os meninos de 2000.

 

O melhor time da primeira fase (com três vitórias e um empate em quatro jogos), confirmou o favoritismo no hexagonal final. Em cinco partidas, marcou incríveis 17 gols e só sofreu dois (três em nove jogos ao longo do torneio). Invicto, melhor ataque, melhor defesa. Sobrou em todos os aspectos, inclusive os individuais. Venceu adversários duros com facilidade e não tomou conhecimento dos donos da casa na última partida, que trouxe a confirmação do título com mais uma goleada: 5 a 0.

brasil_sub17_viniciusjunior Vinicius Júnior, joia do Flamengo, é o mais talentoso do grupo. Ainda que não tenha marcado na “decisão”, foi eleito o melhor jogador do torneio e conquistou também a artilharia. Impressiona a diferença em relação aos outros da categoria em todos os aspectos. Pensa mais rápido, dribla com enorme facilidade. O clube carioca parece disposto a dar chance de crescimento (e ele precisa iniciar rodagem entre os profissionais o quanto antes), mas me parece que deixou a estrela ascender para crescer a preocupação. Será difícil segurá-lo por muito tempo, embora fosse ótimo para o jogador criar um projeto parecido com o de Neymar, que levou o Santos ao título da Libertadores entre outras conquistas e amadureceu antes de ir para a Europa. A possibilidade de crescimento dos dois é parecida.

 

Mas não foi só ele que se destacou ao longo da competição. Brazão esteve sempre seguro no gol, confirmando a tradição cruzeirense de bons jogadores para a posição na base. Vitão teve torneio irretocável, mostrando segurança e liderança. Marcos Antônio, volante do Atlético-PR, é jogador moderno que defende e ataca com a mesma desenvoltura. E os outros dois atacantes (Paulinho e Lincoln) cresceram muito ao longo da competição, mostrando versatilidade e recurso.

 

É preciso falar também do palmeirense Alan. O camisa 10 não foi o craque nem o artilheiro do Campeonato, e só se destacou marcando gols na última partida. Mas foi o mais regular do time ao longo de toda a competição. O ponto de equilíbrio de um time muito ofensivo e rápido na frente mas que precisava de alguém para organizar as jogadas no meio-campo.

 

Sobra talento na geração 2000. É preciso que desde já a CBF (que tomou decisão atrapalhada de demitir Erasmo Damiani no primeiro fracasso) se junte aos clubes para cuidar desses jogadores para que eles possam progredir. Há buracos (na lateral esquerda, por exemplo), mas sobram jogadores de futuro como o Brasil não via desde muito tempo.

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Cristiano Maia

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