Opinião
Um verdadeiro jogo de Copa na Arena Condá
2 junho, 2017
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O empate sem gols entre Chapecoense e Cruzeiro, que classificou os mineiros para as quartas de final da Copa do Brasil na Arena Condá, teve todos os ingredientes de um jogo de mata-mata. Partida tensa, com chances perdidas, arbitragem polêmica, cenas lamentáveis (e foram várias). Não foi um grande jogo tecnicamente, mas teve emoção até o último minuto.

 

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Márcio Cunha / Diário Catarinense

Sem Seijas, Mancini apostou em Nádson para manter o desenho tático que fez o time crescer nas últimas partidas. Sem a bola, 4-1-4-1, com ponteiros voltando pra ajudar e Nádson se alinhando a Luiz Antônio. Com ela, 4-2-3-1 usando muito os lados do campo com ultrapassagens constantes dos dois laterais.

Do outro lado, Mano Menezes manteve o que fez na Vila Belmiro. Duas linhas de quatro com Hudson aberto pela direita e muita liberdade para o meia do 4-4-1-1, ontem Thiago Neves. Na teoria, uma boa ideia. Na prática, funcionou pouco. O Cruzeiro não conseguiu reter a bola como esperado e só jogava pelo lado esquerdo com Alisson e Diogo Barbosa. Faltava alguém que se movimentasse pela direita para dificultar a marcação da Chapecoense, que demorou para assumir as rédeas do jogo mas quando o fez poucas vezes não esteve no controle.

 

Em campo, um jogo tenso e físico. Muitas faltas, muitas disputas pelo chão e principalmente pelo alto. A Chapecoense explorou seus pontos mais fortes: bolas paradas (principalmente arremessos manuais) e aproveitamento na segunda bola ofensiva com finalizações de média distância. Assim levou perigo a maioria das vezes ao gol de Fábio. Do outro lado, quando tentou ficar com a bola o Cruzeiro envolveu, mas fez isto poucas vezes. Teve a melhor chance do primeiro tempo com Hudson e duas claras em contra-ataque na etapa final. Poderia ter jogado mais.

 

A arbitragem é um capítulo à parte. Impressionante como raramente Péricles Bassols deixa um jogo sem desagradar pelo menos uma das equipes. Conversa muito, demora na tomada de decisões, tem pouco critério nas faltas e nos cartões. No lance mais difícil, sobra polêmica. Ontem, na transmissão, vi um braço de Victor Ramos nas costas de Hudson e disse que ainda que tenha sido um empurrão “mequetrefe”, é digno de marcação de falta. Hoje, vi e revi o lance várias vezes, embora o ângulo não seja o ideal. Não marcaria nada. Mas sigo achando que não é uma falta absurda e é importante perceber como ele apita muito antes da bola chegar à Wellington Paulista (o lance é impugnado antes de Victor Ramos tocar a bola).

 

Para fechar, a absurda confusão no pós-jogo. Dentro e fora de campo. Reclamação e pressão além da conta na arbitragem, confusão entre os times na porta dos vestiários e a indefensável pedrada de um torcedor no quarto árbitro, que sofreu um ferimento no olho. Passada toda a comoção da tragédia do ano passado, lembramos ontem em Chapecó que o esporte ainda eleva a tensão e faz muitos perderem a cabeça com a competição. É preciso mão pesada na punição (à dirigentes, jogadores – dos dois times – e torcedores) para que atos como estes não voltem a acontecer. Pouco provável que a simpática Arena Condá passe impune também.

 

O que há de melhor e de pior em um jogo de Copa esteve em campo ontem na Arena Condá. O Cruzeiro segue adiante na competição com duas partidas pobres. Mas é impossível falar em injustiça quando o time teve tantas bolas para definir o confronto de forma mais tranquila. Méritos para o único time que disputa a competição desde a primeira fase e ainda segue na disputa pelo título.

 

Para a Chape, a eliminação pode ser vista também com o copo meio cheio. São jogos demais para um time em reconstrução com um elenco curto. Hora de se concentrar em coisas mais importantes na segunda metade da temporada.

 

PS: Muito lamentável também a postura do técnico do Cruzeiro na reta final do jogo, atrapalhando uma cobrança de lateral de Reinaldo. Querer ganhar “a qualquer custo” não só me incomoda como não reflete o tamanho do clube no qual ele trabalha. É baixo, pequeno e desnecessário.

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