Opinião
Micale caiu no Horto
25 setembro, 2017
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A pior atuação desde a chegada de Micale representou a sétima derrota em casa no Campeonato Brasileiro, em um jogo chave: diante do Vitória, o Atlético-MG precisava vencer para provar que poderia brigar mais acima na competição. A derrota deixa a clara impressão de que pensar além da manutenção na Série A é pura perda de tempo. E terminou com mais uma troca no comando. O campeão olímpico não completou o segundo mês de trabalho e a diretoria vai atrás do terceiro técnico em 2017.

 

Atlético-MG, Micale,

Alexandre Guzanshe / EM / DA Press

A atuação foi mais do mesmo. Um gol sofrido no início com o time ainda desligado. Muita posse de bola improdutiva diante de um adversário que se fechou com duas linhas de quatro e se contentou em defender. A primeira finalização demorou para vir e com ela saiu o empate: a única jogada trabalhada com toques rápidos para furar a defesa, contando com a genialidade de Fred no pivô. Na etapa final, jogo morno graças à incapacidade de incomodar o adversário e gols no fim com bolas longas e falhas defensivas. Fatal.

Rogério Micale mexeu mal e teve culpa na derrota. Mas não é e nem pode ser o único culpado mais uma vez. O discurso após o jogo de “não poder aceitar” a derrota para o Vitória é doloroso e mais do mesmo. O presidente troca técnicos a cada resultado ruim mas não assume a própria responsabilidade nem parece disposto a buscar um diagnóstico dos motivos de tantos comandantes de perfis tão diferentes passarem sem deixar saudade. Será que o problema esteve mesmo sempre no banco de reservas?

 

Quando o Galo apostou no campeão olímpico, escrevi aqui sobre as esperadas características do time daí em diante. A verdade é que em 12 jogos pouco foi visto da cara de Micale. Melhorou o time em relação a Roger Machado no quesito paciência com a bola mas em nenhum momento conseguiu transformar isso em intensidade e qualidade no último terço. Recuperou Valdívia que já estava escanteado mas não conseguiu fazer Robinho render e viu o nível de Cazares despencar. Com ele no comando, Fred não fez um gol sequer (ainda que tenha jogado bem nos dois últimos jogos).

 

Logo em sua chegada, o treinador deu uma curiosa entrevista que foi levada como piada por grande parte da imprensa. Disse que era impossível fazer um bolo de chocolate se os ingredientes eram para um bolo de banana. A diretoria errou ao apostar em um treinador que não combinava com o elenco ou ele teria se assutado com o que encontrou? Certo é que menos de dois meses não são suficientes para transformar um time de futebol, ainda que ele tenha tido muitas semanas livres para trabalhar.

 

Principalmente quando se chega com pouco respaldo, com a pinta de interino, em um clube com problemas de gestão desde a morte do diretor de futebol. O novo técnico certamente virá com contrato só até dezembro. Terá força para fazer as mudanças necessárias?

 

O Atlético saiu de Cuca para Autuori. Depois passou por Levir Culpi, Diego Aguirre, Marcelo Oliveira, Roger Machado e Rogério Micale. Tudo isto em quatro anos. Passou por perfis dos mais variados estilos. Vai apostar na aleatoriedade mais uma vez. Sem fazer o diagnóstico dos reais problemas, o próximo tem tudo para ser apenas mais um na extensa lista. Mais um a cair no Horto, uma máquina de moer treinadores.

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