Opinião
Modelos iguais, intensidades diferentes
1 fevereiro, 2017
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Mano Menezes e Roger Machado tem mais em comum do que o fato de serem gaúchos. Muito mais. No primeiro duelo entre os dois no clássico mineiro, ficou claro que há uma enorme semelhança de ideias. Cruzeiro e Atlético apresentaram o mesmo esquema tático e muitas ideias de jogo semelhantes. A diferença foi a intensidade, principalmente sem a bola. O Cruzeiro sobrou e venceu sem sustos.

 

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Taticamente os times se espelharam: com a bola 4-2-3-1, sem ela 4-4-2. Arrascaeta e Cazares tinham menos responsabilidade defensiva e se alinhavam ao atacante para incomodar a saída de bola do adversário. O modelo de jogo também era parecido: ambos com bloco médio quando perdiam a bola, marcação zonal e ponteiros dando amplitude no momento ofensivo. A diferença era que os jogadores do Cruzeiro “atacavam” sem a bola. Quando o adversário entrava em sua zona, rapidamente era incomodado. O Atlético foi mais passivo e permitiu que o adversário controlasse o jogo.

Se faltava fluência ao Atlético para sair jogando, sobrava no Cruzeiro. Quando o jogo é em ritmo mais lento, como foi na etapa inicial, Ariel Cabral veste o terno e joga. Foi o dono do meio-campo e fez o jogo do time de Mano acontecer. Quando a partida acelera, como na segunda metade do segundo tempo, ele se perde e não chega a lugar algum. Quando ele diminuiu o ritmo, os celestes caíram juntos.

 

Mas foi uma atuação soberana do Cruzeiro. Embora tenha terminado o jogo com menos posse, finalizou 12 vezes (cinco no alvo) contra apenas cinco do Atlético (duas no alvo). Em nenhum momento sua vitória pareceu ameaçada. Mesmo quando reduziu o ritmo e deu campo ao rival, que rodava a bola de um lado para o outro sem conseguir nenhuma jogada de infiltração.

 

Por ser apenas o segundo jogo da temporada, a atuação do Cruzeiro é grandiosa. Enfrentou um adversário forte e mostrou quanta diferença o tempo faz. Roger precisará de tempo para que os jogadores assimilem suas ideias e consigam colocar em prática seu modelo de forma mais natural. Mano já teve esse tempo.

 

O Cruzeiro saiu na frente em 2017 porque começou o trabalho em 2016. Saiu na frente no primeiro clássico porque está mesmo alguns passos adiante em relação ao rival.

 

Mano e Roger são muito parecidos e a tendência é que o duelo fique cada vez mais equilibrado. Hoje, no lindo Mineirão dividido pelas duas torcidas, a intensidade venceu.

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