Opinião
Não é só técnicos que trocamos além da conta
24 agosto, 2018
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Me lembro de no início do ano em uma entrevista com Enderson Moreira, então técnico do América, quando perguntei a ele sobre a baixa qualidade do jogo aqui no Brasil que um dos motivos levantados pelo treinador foi o excesso de mudança pelos quais os times passam. Não só técnicos, mas elenco também. Desde então, isso ficou na minha cabeça.

 

Rodada após rodada, faço o levantamento dos jogadores que jogaram por todos os 20 times da Série A. Em todas do primeiro turno tivemos pelo menos um jogador estreando na temporada. Na primeira do returno, o mesmo se repetiu. Não sei se é comum nos outros campeonatos mundo afora, mas esse número me chamou a atenção. Por isso resolvi comparar o quanto os times mudaram da estreia na principal competição do país em abril até o início da segunda metade da disputa (menos de quatro meses depois) e os números são alarmantes.

 

Considerei no levantamento os 11 titulares e o técnico de cada time na primeira e na 20ª rodada (como Atlético-PR e Chapecoense tiveram o jogo adiado considerei os escalados na rodada anterior). Apenas seis equipes conseguiram repetir mais da metade dos nomes (Bahia, Chapecoense, Flamengo, Fluminense, Grêmio e Internacional). A larga maioria passou por mudanças profundas. Chama a atenção o Vitória que não por acaso está na zona do rebaixamento e teve apenas Yago atuando como titular nos dois jogos contra o Flamengo na competição. A equipe baiana, aliás, teve três estreantes nesta quinta-feira e chegou ao assustador número de 51 atletas utilizados em 49 jogos na temporada.

 

Como é preciso levar em conta que existem suspensões, lesões e muitos outros fatores que levam às mudanças no time, resolvi comparar os dados do Campeonato Brasileiro com os três principais do planeta (Alemão, Inglês e Espanhol). Considerando a temporada 2017-2018 e comparando a primeira rodada do turno e do returno da mesma maneira, os números provam que mexemos além da conta. Em nenhuma delas o número de jogadores que estão nas duas escalações é menor do que o de mudanças. Na Alemanha, onde a média é mais baixa, só três de 18 times não repetiram pelo menos a metade dos jogadores.

 

Muitos problemas levam a tantas mudanças no Brasil. Uma janela que fica aberta quase o ano inteiro para transações nacionais, o excesso de competições e jogos, a grande quantidade de troca de técnicos. Mas é inegável que a pouca repetibilidade também influencia negativamente na qualidade do jogo que é jogado por aqui. Sem entrosamento e sem sequência, é impossível atingir a excelência.

 

Mudanças profundas no calendário e no modelo de gestão dos clubes são necessidades cada vez mais urgentes. Ou seguiremos vendo de perto o atraso em relação a outras ligas mundo afora.

 

Abaixo os números completos em cada uma das Ligas:

 

Mudanças, Série A, Brasileiro,

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