Opinião
Ney Franco e a máquina de moer técnicos
27 maio, 2017
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Ney Franco passou um longo período sabático antes de voltar ao futebol brasileiro. Estudou nos Estados Unidos, esperou um bom projeto para que pudesse retornar. Acreditou no Sport. Sonho que durou apenas 58 dias, interrompido após a derrota para o Bahia e a perda da Copa do Nordeste.

 

Ney Franco, Sport, Técnicos

Marlon Costa / Pernambuco Press

Antes de avaliar o trabalho de Ney Franco no clube pernambucano, é preciso olhar para o que ele encontrou e como pôde trabalhar.

 

Contratado no dia 27 de março, estreou quatro dias depois com um mata-mata contra o Campinense pela frente na Copa do Nordeste. Perdeu por 3 a 1 fora de casa, mas ainda assim conseguiu classificar o time na volta. Daí em diante, a história se repetiu. Foram incríveis 18 jogos por cinco competições diferentes em apenas 58 dias de trabalho. Uma partida a cada 3,22 dias.

 

Não bastasse o espaço curto de descanso entre um jogo e outro, ainda é importante citar que dos 18 jogos disputados pelo time com Ney Franco no comando, 14 foram de mata-mata. Ou seja: alta carga emocional em quase todas as partidas disputadas, sem tempo de treino, sem tempo de descanso, sem o direito de errar. Coloque ainda na conta viagens para o Uruguai, Joinville, Rio de Janeiro e Campinas neste trajeto.

 

 

Ney Franco teve decisões ruins. Errou em algumas escalações, demorou para mexer. Nada disso é mentira. Mas como sustentar um trabalho que já começa com tanta dificuldade e onde simplesmente não há tempo para trabalhar? O treinador do Sport foi moído por um calendário que não permite sequer avaliar se ele foi bem ou mal. Não por acaso, os pernambucanos já vão para o terceiro comandante na temporada e ainda nem chegamos ao meio do ano.

 

Enquanto não melhorarmos o calendário será impossível exigir bons trabalhos dos técnicos. Enquanto quem contrata não souber qual o objetivo do trabalho e como o técnico pode conduzir o processo, será impossível esperar longevidade.

 

Já são nove mudanças de técnicos entre os 20 times da Série A em 2017. O número, certamente, vai chegar pelo menos ao dobro até o fim do ano. A nossa máquina de moer técnicos segue firme e forte. Ney Franco foi apenas mais uma vítima.

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