Opinião
O futebol é para todos, Kalil (ou deveria ser)
18 julho, 2017
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É extremamente infeliz a entrevista de Alexandre Kalil, ex-presidente do Atlético-MG e atual prefeito de Belo Horizonte, ao El País. Ao defender que “futebol não é coisa para pobre“, não só mostra pouco conhecimento sobre a situação financeira do Brasil como parece estar afastado do que acontece atualmente nos estádios.

 

Kalil, Público, Estádios, Flamengo,

Yuri de Castro – El País

Ainda que seja óbvio que os custos do futebol cresceram exponencialmente nos últimos anos (e no Galo, Kalil tenha sido mola fundamental neste processo), não é difícil perceber que as receitas também cresceram. A TV paga cada vez mais pelo espetáculo, patrocinadores também. Os dois caminham juntos e devem sempre caminhar. Mas nenhum torcedor deveria ser excluído do processo, ainda que esteja sendo.

O Campeonato Brasileiro de 2017 tem a baixíssima média de 15.166 pagantes por jogo. Mais baixa ainda a média de ocupação dos estádios: 40%, segundo levantamento do Globoesporte.com. Cadeira vazia não gera renda, prefeito. E elas são muitas, espalhadas por todo canto do país.

 

É evidente que não é possível cobrar ingressos a preços módicos em todos os jogos. Mas me parece evidente que há espaço para o “pobre” no futebol brasileiro. Ou deveria existir. Os impostos que eles também pagam ajudaram a construir e sustentar boa parte das novas arenas. Há demanda de público, mas não há o olhar para ele.

 

Apenas cinco dos 20 clubes da Série A conseguem encher mais da metade do seu estádio em seus jogos. Três deles jogam onde a capacidade é inferior aos 25 mil torcedores. Palmeiras e Corinthians, da rica São Paulo, são os únicos pontos fora da curva.

 

A comparação triste com a Europa é sobretudo injusta. Por lá, o torcedor fiel que vai em todas as partidas paga mais barato que o turista que compra o bilhete avulso em cima da hora. E há demanda. Os estádios estão sempre cheios.

 

Excluir o pobre é excluir o seu torcedor. De um processo onde sobra espaço. Não há mais gente disposta a gastar mais. Mas tem muita gente disposta a contribuir com o pouco que tem.

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