Opinião
O “jeitinho brasileiro” do Grêmio é jogo sujo
21 novembro, 2017
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Imagine você no seu trabalho e alguém da empresa concorrente hackeia seu e-mail corporativo para pegar informações a respeito do seu planejamento ou de seus clientes e então levar vantagens a partir do que foi coletado. Ou se em uma prova de concurso você fica em segundo lugar, atrás de alguém que tinha em mãos o gabarito. É basicamente o que fez o Grêmio e seu “jeitinho brasileiro” revelado pela ESPN em brilhante reportagem de Gabriela Moreira.

 

Drone, Grêmio, Jeitinho Brasileiro, É evidente que não foi só isso que fez o Grêmio fazer boa campanha no Campeonato Brasileiro e chegar à final da Copa Libertadores. Em muitos momentos do ano, o time de Renato Gaúcho jogou o melhor futebol do país. Mostrou em campo conceitos modernos e qualidade de futebol muito acima da média no Brasil. Ainda assim, é impossível separar totalmente o desempenho das informações “privilegiadas”.

Cada vez mais, jogos de futebol são decididos nos mínimos detalhes. Não é atoa que clubes investem alto em seus departamentos de análise de desempenho. O Grêmio possui um que é referência, hoje comandado pelo ótimo jornalista Eduardo Cecconi. Ali, todos os detalhes dos adversários são esmiuçados e passados aos jogadores antes de cada partida. Mas deveriam ser apenas os detalhes que estão acessíveis a todos.

 

Se um técnico quer privacidade para treinar uma formação diferente ou jogadas diferenciadas, é porque ele sabe que estes mínimos detalhes podem confundir um adversário que hoje em dia tem muitas informações em mãos. Surpreender é cada vez mais difícil na era da informação digital. Mas treinos fechados no futebol se equivalem a um e-mail com informações privadas de uma empresa e não deveriam ser violados. É questão de ética e respeito ao jogo.

 

O que o Grêmio fez ao longo da temporada é o típico “jeitinho brasileiro”. Talvez não seja ilegal mas certamente é imoral. Querer levar vantagens a qualquer custo pode te levar a muitos lugares mas nem por isso torna-se correto. Espionar os adversários é jogo sujo e não tem argumento para defender.

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