Opinião
Exemplos e futuro: o jogo do ano no Mineirão
20 junho, 2017
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Não vi todos os jogos do Campeonato Brasileiro. Muito menos todos os jogos do ano no Brasil. Dos que vi (e não foram poucos), é possível afirmar com muita tranquilidade que nenhum foi melhor que o eletrizante 3×3 entre Cruzeiro e Grêmio no Mineirão. Jogo de muitos gols que poderia ter ainda mais, pois contrariou a lógica da competição até aqui: o caminho não precisa ser sempre entregar a bola ao adversário e esperar para reagir. Há talento para jogar mais por aqui.

 

Grêmio, Cruzeiro. Mineirão, Campeonato Brasileiro,

Daniel Coelho/Agência PressDigital

E mostraram isso desde o primeiro minuto. Jogando em casa, o Cruzeiro foi obrigado a adiantar as linhas e propor jogo. Começou apertando a saída e usando muito o lado esquerdo com Alisson. Era melhor até falhar mais uma vez na bola aérea defensiva e permitir que o Grêmio abrisse o placar. Mas seguiu jogando. Com Thiago Neves se aproximando de Sóbis para tentar jogar e com Robinho recuando para armar ao lado de Cabral. O time de Mano Menezes ainda não tinha mostrado no Brasileiro tanto volume ofensivo. Mas também não tinha errado tanto na defesa, até então uma das melhores do Campeonato. Principalmente nas bolas paradas, que renderam também o segundo gol para o Grêmio.

 

Do outro lado, um capítulo a parte. O time de Renato Gaúcho é encantador e hoje nenhum outro joga tanto futebol. Apostou em Everton para dar mais liberdade à Luan, como meia central do 4-2-3-1. Mas impressiona a fluência e a facilidade para levar à bola até a área do adversário. Com poucos toques e muitos movimentos rápidos e coordenados, o Grêmio consegue se colocar em condição de finalizar as jogadas. Ainda que tome algumas decisões ruins no último terço, muitas vezes por excesso de preciosismo (talvez confiança demais pela ótima fase). Tem Arthur e Michel em ótima fase, facilitando a saída, e um quarteto ofensivo rápido e perigoso. Mesmo jogando fora de casa, buscou a vitória até o último minuto e em nenhum momento se acomodou com o resultado e recuou as linhas.

 

Mas o Cruzeiro mostrou poder de reação. E reagiu, com um gol no fim do primeiro tempo, outro no início do segundo. É verdade que encontrou espaço demais para jogar às costas dos volantes do adversário, que vencia fora de casa e poderia ter se compactado mais. Mas teve méritos nas construções das jogadas para buscar um resultado diante de um adversário forte e de contra-ataque perigoso. Correu riscos e colheu frutos. Buscou o 2×2 e depois o 3×3.

 

O Mineirão viu um exemplo de que os times podem jogar mais no Campeonato Brasileiro. O grande jogo que teve erros defensivos mas muito mais méritos ofensivos das duas partes. Que criaram chances em profusão e poderiam ter feito mais dois, três ou até quatro gols. O jogo merecia ainda mais bolas na rede.

 

Para o futuro, o time de Mano Menezes percebeu mais uma vez que pode encarar qualquer adversário se for corajoso e ofensivo (foi assim no segundo tempo contra o Corinthians na última quarta). Já o time de Renato, que tem decisões duras também na Libertadores e Copa do Brasil, é preciso compreender que as vezes é importante respirar e segurar, ainda que o DNA da equipe diga o contrário.

 

No jogo do ano, Cruzeiro e Grêmio deram um exemplo aos outros. E podem tirar lições importantes para um futuro ainda melhor.

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