Opinião
O sucesso do Avaí e os riscos de um futuro reativo
18 setembro, 2017
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Rogério Micale acertou no diagnóstico após o empate por 1 a 1 entre Avaí e Atlético-MG na manhã deste domingo na Ressacada. Em um Campeonato Brasileiro onde os times que tem a bola encontram maiores dificuldades e onde praticamente não há reviravoltas nos placares, a chance de estilos de jogo mais reativos virarem uma tendência é grande. E isto seria muito ruim para o futebol nacional.

 

Avaí, Atlético-MG, Campeonato Brasileiro, Micale,

GUILHERME HAHN/AGIF/ESTADÃO CONTEÚDO

Mas não para o Avaí, que como dissemos na semana passada, sabe como ninguém a sua briga na competição. Em grande fase, com a maior invencibilidade do Brasileirão, até começou tentando adiantar as linhas e atacar com os dois laterais ao mesmo tempo para melhorar a produção ofensiva, paupérrima até aqui na competição. Mas não demorou para perceber que o Galo começava a ficar mais com a bola e achar espaços demais nos contra-ataques, e então retornar ao seu jogo: marcação atrás do meio, transições rápidas e jogo “por uma bola”. Que apareceu na reta final do primeiro tempo, quando os volantes atleticanos erraram na transição e deixaram exposta a última linha: gol de Simião na única finalização certa dos donos da casa no primeiro tempo.

E seria assim, até o fim do jogo. O Atlético de Micale ocupando o campo ofensivo mas com poucas ideias para furar a defesa adversária. A “posse estéril” citada pelo treinador não foi uma novidade: nem para seu time nem para a competição. Nunca os times que ficaram menos com a bola fizeram tantos pontos. E o Galo demorou para levar perigo ao gol de Douglas. Com Elias, Cazares e Luan em manhã apagadíssima, faltava iniciativa individual e maior fluência no terço final. É notório que aquele time que só cruzava bolas para a área do adversário aumentou seu repertório tentando criar pelo chão. Mas ainda assim foi incapaz de oferecer a Fred, o melhor em campo, uma chance real para marcar. O gol saiu já no fim, em ótimo cruzamento de Marcos Rocha para Otero marcar de cabeça, minutos depois de Claudinei Oliveira fechar seu time com mais um zagueiro. Castigo.

 

Seis jogos sem derrota para o Avaí que ganha confiança e vai se afastando da zona do rebaixamento. Ganha de times do mesmo nível que o seu e empata com os times melhores. Porque sabe o que é capaz. Entendeu a competição, teve paciência com o seu treinador e colhe resultados com seu jogo reativo. Diferente do Atlético-MG de Micale, que tem pretensões e obrigações maiores na competição. Jogar com a bola, por incrível que pareça, é mais difícil no Campeonato Brasileiro. Mas se tivermos um futuro onde os times só queiram e saibam reagir, ninguém terá a quem contra-atacar. Micale acertou no diagnóstico do futebol brasileiro. O Avaí acertou no seu.

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