Opinião
Única obrigação do Atlético é acertar diagnóstico, antes que seja tarde
10 agosto, 2017
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Uma pessoa doente triplica o risco se não sabe qual o seu diagnóstico. Sem saber qual o problema te acomete, é impossível realizar o tratamento correto. O Atlético-MG, hoje, é um time “doente”. Estamos em agosto e só resta a um dos maiores investimentos do futebol brasileiro na temporada, escapar do rebaixamento. Para isto, precisa entender o que está acontecendo, longe do discurso de obrigações que o presidente Daniel Nepomuceno insiste em colocar em prática dia após dia, eliminação após eliminação.

 

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Paulo Fonseca/EFE

Mais uma ontem, diante do modesto Jorge Wilsterman. O primeiro boliviano a eliminar um brasileiro em competições sul-americanas. Vexame histórico de um Atlético incapaz de vencer dentro de casa. Pouca surpresa, pelo desempenho recente do time em campo. Confesso que me chamaria mais a atenção se o Galo tivesse feito uma partida brilhante nesta quarta do que o 0x0 insosso que deixou o time fora da principal competição da temporada.

Eliminação que passa também pelas escolhas erradas de Micale, ainda que ele não possa ser responsabilizado pela ruptura no trabalho e o pouco tempo para preparar o time para uma decisão. Ao escalar três volantes, o novo técnico do Atlético tinha uma ideia clara: circular a bola com velocidade de um lado para o outro e permitir que os dois laterais atacassem ao mesmo tempo, gerando amplitude. Luan e Cazares, os ponteiros do 4-3-3, na prática eram os meias que armavam por dentro para oferecer o corredor a Marcos Rocha e Fábio Santos. Começou bem, com ultrapassagens e muita facilidade para quebrar as linhas bolivianas nos primeiros 15 ou 20 minutos.

 

Aos poucos, porém, a intensidade foi caindo e a ansiedade subindo. E o time voltou aos cruzamentos como única alternativa ofensiva. 44 ao todo, apenas seis corretos. Das 15 finalizações, metade delas de fora da área. Um terço delas, na direção do gol. Muito pouco.

 

Errou ainda Micale ao abrir mão de Robinho, que entrou apenas para jogar os 30 minutos finais quando o adversário já não oferecia espaços nem jogo. Ainda que o camisa 7 venha em péssimo momento técnico, é dele que se espera algo a mais em um momento decisivo. E errou também ao optar por Otero e não por Rafael Moura nos minutos finais, quando a única coisa que o time fazia era levantar a bola na área adversária.

 

É claro que o Atlético-MG poderia ter vencido ontem. Teve bola na trave, gol mal anulado e pelo menos outras três chances claras de marcar. Foi melhor que o adversário e não poderia ser diferente. Mas o desempenho foi pobre como vinha sendo nas últimas partidas. O repertório foi curto como tem sido frequente no Campeonato Brasileiro. Eliminação vexatória e justa.

 

Com 23 pontos ao fim do primeiro turno, só resta um objetivo na temporada: fugir do rebaixamento. E sem o diagnóstico correto da situação, será difícil encontrar solução. Um grupo que mostra pouco poder de reação e que precisa voltar a jogar em alto nível antes que seja tarde. O discurso de que “vaga na Libertadores é obrigação” além de não ajudar mostra que o presidente ainda não sabe onde se meteu.

 

É claro que estando cinco pontos atrás do sexto colocado e com a possibilidade da classificação à Libertadores atingir até o oitavo, o Galo pode chegar. Mas hoje, 10 de agosto, a única obrigação é acertar o diagnóstico. Não dá para errar mais.

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3 comentários

  • Breno Brandão disse:

    A grave doença do atlético é o notório DESEQUILÍBRIO do elenco. Enfermidade que vem desde a temporada passada. Mas antes de ir ao mercado na busca de peças para equilibrar o grupo é necessário contratar um TÉCNICO especialista em montagem e comando de elenco. E isto tem que ser já, para que ele possa analisar o que o clube tem hoje e vasculhar o mercado em busca das peças com o perfil que deseja para qualificar cada setor da equipe. Seria prudente não esperar chegar dezembro para iniciar esta indiscutível reestruturação do plantel, principalmente as contratações que necessariamente deverão ser feitas, ou o encaminhamento delas. Deixar para tomar decisões tão importantes ao final da temporada é ampliar a possibilidade de um novo fracasso. Como bem apregoa o dito popular, “quem vai na frente bebe água limpa”.

  • Mayron Souza disse:

    A intensidade diminuída não seria o péssimo preparo físico?

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