Opinião
Não se poupa pontos no Campeonato Brasileiro
23 junho, 2017
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Vários fatores fazem do Campeonato Brasileiro o mais equilibrado entre as principais ligas de futebol do mundo. Em nenhuma outra os times que disputam o título perdem tantos pontos para os que estão lutando contra o rebaixamento. Uma das explicações é o calendário ruim que equilibra forças fazendo todos os times jogarem sempre abaixo do 100%.

 

Cruzeiro, Ponte Preta, Campeonato Brasileiro, Mano Menezes

Fábio Leoni / PontePress

Mas calendário ruim a parte, este equilíbrio não permite uma prática que é quase exclusividade brasileira: poupar todos os titulares em um jogo. Na Europa, grandes times costumam jogar as Copas nacionais com equipes reservas por dois motivos. Primeiro porque é um torneio completamente desinteressante (como deveriam ser os estaduais por aqui). Segundo porque a diferença entre os times é muito maior e permite menos surpresas. Na Liga, jogam sempre os titulares (ou a maioria deles) salvo raras exceções como o Real Madrid que escalou muitos reservas no último Campeonato Espanhol.

No Brasil, com a dificuldade e o equilíbrio do Campeonato Brasileiro, não é possível escalar onze reservas e competir. Mas é aqui que a prática é mais comum, curiosamente.

 

Grêmio e Palmeiras usaram reservas em uma rodada do Campeonato Brasileiro que aconteceu entre a última partida da primeira fase da Libertadores e um mata-mata da Copa do Brasil. Ambos perderam (para Sport e Chapecoense, respectivamente). Me pareceu claro que abriram mão dos pontos pensando em outras competições, já que o Brasileiro permite recuperação por ser mais longo. Não concordo, mas entendo.

 

O que é impossível entender é o que fez Mano Menezes, que optou por escalar um time todo reserva em Campinas para enfrentar a Ponte Preta. O Cruzeiro vinha de duas partidas duras onde conseguiu um bom nível de atuação, ainda que não tenha vencido nenhuma delas. Saiu justamente aplaudido no Mineirão após o fantástico 3×3 com o Grêmio. Mas a situação na tabela indicava que a necessidade era de vencer para não perder a confiança que vinha conquistando.

 

Os três pontos que estavam em jogo nesta quinta são os mesmos da partida da última segunda. Serão os mesmos do duelo contra o Coritiba no próximo domingo. E de todos os outros que ainda estão por vir. Não faz sentido escolher um jogo para “abrir mão” de todos os titulares.

 

Entendo que jogadores precisam de descanso e acho válido e importante rodar o time. Mas nada justifica tirar todos os titulares entre uma partida e outra. E não venha tentar me convencer que Romero (que jogou 14 vezes na temporada) não tinha condição de jogo, por exemplo. O mesmo serve para vários outros. O Grêmio, que disputou a mesma partida na segunda-feira e que fez os mesmos oito jogos nos últimos 25 dias, repetiu oito jogadores da partida no Mineirão e venceu o Coritiba para seguir na briga pelo título.

 

Administrar o elenco é tirar uma, duas ou três peças mais desgastadas rodada após rodada para manter todos na melhor condição competitiva possível. Tirar todos os titulares é preciosismo bobo e desnecessário. E a conta chega, como chegou mais uma vez para o Cruzeiro de atuação pobre no Moisés Lucarelli. Ao poupar todos os titulares em uma rodada do Campeonato Brasileiro, o time poupou também pontos na tabela. Será que não farão falta?

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1 comentário

  • ALCIDES disse:

    O MANO TÁ É LOUCO, QUER É AFUNDAR O CLUBE. ACORDA DIRETORIA ACORDA GILVAN.

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