Opinião
Roger Machado: um vendedor de sonhos
20 julho, 2017
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Quando foi contratado, em dezembro do ano passado, em meio às finais da Copa do Brasil, Roger Machado trouxe esperança ao Atlético-MG. Quase todos viam nele o ótimo desempenho à frente do Grêmio, adversário do Galo naquela decisão já sob o comando de Renato Gaúcho, mas ainda com muitas características do trabalho do antigo treinador. Não demorou para Roger chegar e causar ainda mais encantamento: discurso moderno e promessas de um time diferente.

 

Na prática, muita diferença. Salvo raras exceções, os conceitos prometidos pelo treinador pouco foram vistos em campo. A marcação alta nem sempre funcionou (é verdade que às peças à disposição não ajudam neste aspecto), as transições rápidas não acontecem e o jogo apoiado não existe. Contra o Bahia, em mais uma derrota como mandante, mais demonstrações de que discurso e realidade não tem andado lado a lado.

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Reprodução/Premiere

Os números até mostram que o volume ofensivo mais uma vez foi bom: foram 23 finalizações (10 certas), bem acima da média do time no Campeonato Brasileiro, de 14 finalizações por partida. Mas o repertório mais uma vez foi pobre. Só nove dessas finalizações aconteceram dentro da área, a maioria delas em cabeçadas. Isso porque, o Galo de Roger cruza, cruza, cruza. E não foi a primeira vez. O líder isolado em cruzamentos errados no Campeonato Brasileiro (356 contra 312 do Flamengo, o segundo colocado) voltou a exagerar no quesito: 53 cruzamentos, 44 errados.

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Footstats

As imagens mostram como o “jogo apoiado” um dos pilares do trabalho de Roger não aparece na prática. Na primeira, uma prática que se viu ao longo de todo o segundo tempo mais uma vez: bola em algum jogador pelo lado, todos os outros correm para a área e o cruzamento sai. Ninguém se aproxima para dar outra opção. Na segunda, a comprovação de quantos cruzamentos foram feitos da zona intermediária. O time se preocupa pouco até em trabalhar a bola para chegar à linha de fundo, em melhores condições para alçar a bola (foram 22 bolas alçadas da intermediária, apenas sete certas).

 

No fim, dois a zero para um Bahia que repetiu a receita de outros times no Independência. Soube se fechar e aproveitar as chances que teve para definir a vitória. Méritos, claro. Mas mesmo jogando fora de casa, finalizou 11 vezes (cinco certas) pois enfrentou um adversário permissivo: no primeiro tempo, por falta de velocidade nas transições defensivas, na etapa final porque o Galo precisava se expor.

 

Assim como eu, Roger Machado acredita que o técnico é um vendedor de ideias. É preciso que os jogadores acreditem no trabalho que está sendo realizado e nos motivos para cada treino ou desejo. Só assim as coisas vão fluir e acontecer em campo como se projetam no discurso. No Atlético-MG, ele vendeu sonhos, mas em poucos momentos conseguiu colocar em prática.

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