Opinião
Só ideias modernas não bastam
17 Abril, 2017
0
, , , ,

Depois de alguns meses e muitos jogos de pouca valia para os times grandes, aos poucos os Campeonatos Estaduais finalmente começam a esquentar. Com as decisões, vem também as fases mais afuniladas da Copa do Brasil, a sequência de jogos mais dura pela Libertadores e a expectativa pelo Campeonato Brasileiro. Hora de começar a dar respostas mais concretas. Que o Atlético-MG de Roger Machado e o São Paulo de Rogério Ceni ainda não parecem prontos para dar.

 

rogerioceni_sp_atleticomg_roger

Contra a URT, alguns fatores podem explicar o baixo rendimento do Galo, principalmente no segundo tempo. O jogo às 11h da manhã sob forte calor e o pequeno intervalo após o desgastante e mentiroso 5 a 2 diante do Sport Boys pela Libertadores. Mas não foi a primeira vez que o time teve momentos tão distintos ao longo do mesmo jogo. E nem que alguns problemas apareceram na temporada.

Roger Machado trouxe com ele muitas ideias do Grêmio. O Atlético é um time que busca se compactar e ficar com a bola, tentando sempre o jogo apoiado pelos lados. Mas no Galo, falta intensidade. Talvez por não ter encontrato em Belo Horizonte a juventude de Luan que se movimentava por toda parte como falso 9 no Grêmio. Com Fred, ele tem garantia de gols mas perde muito em mobilidade. Principalmente se a intensidade e o 1×1 não estão entre as características dos meias do 4-2-3-1. A elevada média de idade do time titular também contribui para a pouca intensidade com e sem a bola. A ideia de tentar retomar rapidamente a bola após a perda também está lá, mas as características dos jogadores não ajudam tanto e muitas vezes sobra espaço após um primeiro bloqueio mais com os olhos que qualquer outra coisa.

 

No São Paulo, Rogério Ceni também sofre, ainda que tente amparar com os números o desempenho do seu time. Não adianta ter tanta posse de bola se ela é tão pouco efetiva. Não adianta finalizar sempre mais que o adversário se é ele quem marca mais gols.

 

Com Cueva, o ex-goleiro retomou o 4-2-3-1 que funcionou melhor ao longo da temporada, mas viu alguns problemas se repetirem. Muito espaço para o adversário no meio (especialmente após a entrada de Cícero) e dificuldade para retomar a bola rapidamente e fazer a recomposição. O melhor exemplo é o gol de Rodriguinho, o segundo, com muitos passes antes da finalização e apenas quatro jogadores atrás da linha da bola. Na etapa final, a mudança com dois atacantes que deram mais volume ofensivo mas que novamente fizeram a equipe insistir nos cruzamentos para a área. O time gostar de ter a bola nos pés é um trunfo. Saber o que fazer com ela e, principalmente, lutar para retomá-la o mais rapidamente, também são fundamentais no processo de construção de uma equipe forte.

 

Ter ideias e conceitos de jogo modernos são uma grande notícia. Mas não basta. Adaptar a forma de jogar às peças que tem a disposição, ter coerência e confiança para manter a linha de trabalho sem mudanças a cada tropeço são importantes para que os jogadores entendam o que deseja. Atlético-MG e São Paulo podem e devem jogar melhor em 2017. Mas seus promissores técnicos precisam entender que só ideias modernas pode não ser suficiente.

0

Sobre o autor

Itens relacionados

/ Você também pode verificar esses itens

Campeonato Brasileiro no mundo da Lua

Depois de alguns meses e muitos jogos de pouca val...

Leia mais

Jô é a história do Corinthians campeão

Depois de alguns meses e muitos jogos de pouca val...

Leia mais

Brasil, “país do futebol”?

Depois de alguns meses e muitos jogos de pouca val...

Leia mais

0 comentários

Deixe uma resposta