Opinião
Sobra luta ao Botafogo que não precisa sofrer tanto
23 fevereiro, 2017
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Jair Ventura repetiu a dose no Botafogo: time fechado, organizado, matando as jogadas do adversário quando necessário e sofrendo. Ontem, mais do que o necessário. A classificação nos pênaltis sobre o Olímpia a rigor não esteve seriamente ameaçada, mas poderia ter vindo de forma muito mais tranquila se o time carioca jogasse um pouco mais.

 

gatito_botafogo_libertadores

Com a vantagem mínima no placar, a estratégia foi semelhante à do jogo na primeira fase. Marcação em bloco baixo (com a primeira linha na risca da grande área e a segunda bem estreita, próxima à intermediária), organização defensiva e as vezes usando a força. Não é fácil vencer um Botafogo que parece reconhecer suas limitações e está sempre pronto para transpirar. Sobrou luta mais uma vez no Paraguai, no bom sentido, ainda que tenha exagerado em alguns momentos na reta final do primeiro tempo e correu risco desnecessário de cartões que poderiam mudar os planos.

Mas apesar da ótima partida do sistema defensivo, que praticamente não permitiu aos paraguaios finalizações de dentro da área, o Botafogo correu riscos por 90 minutos por jogar pouco. Teve Bruno Silva mais uma vez jogando muito bem, mas a dupla Camilo e Pimpão fora de sintonia. O meia não conseguia prender a bola e o atacante não deu velocidade aos contra-ataques.

 

O Bota devolveu a bola uma vez atrás da outra ao adversário e ainda que não fosse tão incomodado, deixou o Olímpia sempre precisando de uma bola. Que veio, no bate-rebate e no azar de Marcelo, muito bem improvisado na lateral direita. O gol de Brian Montenegro que colocou muita tensão no jogo, poderia ter acontecido no início ou no fim da partida, dada a postura do Botafogo. Acabou salvo pelo ótimo Gatito Fernandes, que errou além da conta na sua chegada ao clube mas merece confiança e sequência.

 

Para jogar um torneio como a Libertadores, principalmente para um time que não teve condição de investir tão alto como alguns concorrentes, é preciso a luta que o Botafogo demonstra. Mas o jogo desta quarta era mais fácil na prática que na teoria. Quando perceber que é possível controlar, não precisa correr tantos riscos. Talvez a fase de grupos, com maior margem de erro, permita ao time de Jair Ventura se soltar mais. É preciso, sem deixar a raça de lado.

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