Opinião
2018, mais um ano em que trocar de técnico não valeu a pena no Brasil
5 dezembro, 2018
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Quem ainda não se acostumou com as constantes trocas nos comandos técnicos dos clubes do futebol brasileiro certamente levou um susto em 2018. A degola esteve bastante ativa ao longo da temporada. Como de costume, a culpa foi constantemente terceirizada e a troca mais fácil foi realizada. Ao todo, 34 mudanças de técnico nos 20 times da Série A. Não passamos mais do que 28 dias sem que um clube optasse por esse caminho. Dos que iniciaram a temporada, só três conseguiram se manter até o final: Mano Menezes no Cruzeiro, Renato Gaúcho no Grêmio e Odair Hellmann no Internacional. A luta é dura.

 

A cada mudança aquela sensação de novidade. Impressão que as coisas melhoraram e que foi mesmo um acerto. Dura pouco. Levantamento feito pelo blog comprova que trocar de técnico em 2018 não valeu a pena, salvo raras exceções. Em geral, o desempenho dos times muda muito pouco a longo prazo, como mostraremos abaixo.

 

Antes de mais nada, é preciso dizer que a avaliação aqui se dá apenas pelo desempenho em números. É claro que alguns técnicos conseguiram fazer o mesmo que outros jogando melhor ou pior do que o antecessor. Mas este é um conceito muito pessoal e na verdade os dirigentes deveriam saber o que esperar quando escolhem o seu comandante.

 

Das 34 trocas realizadas ao longo da temporada, apenas 33 entram na conta a seguir. Marcelo Oliveira, demitido pelo Fluminense, foi substituído por um interino para a rodada final. Levando em conta todas as anteriores, por 18 vezes o substituto teve números inferiores que o antecessor. Apenas 15 conseguiram resultados melhores.

 

A diferença é pequena também na alteração do desempenho. Das 33 trocas, em apenas dez (menos de um terço) o desempenho melhorou mais do que 5% entre um treinador e outro. Vale destacar aqui Tiago Nunes (por Fernando Diniz), Lisca (por Jorginho), Milton Mendes (por Eduardo Baptista) e Zé Ricardo (por Marcos Paquetá) que representaram, de fato, ótimos negócios para os clubes com crescimento superior a 30% nos resultados.

 

Outro dado interessante. Dos 17 times que trocaram técnicos, 10 tiveram o treinador que começou a temporada como aquele que teve o melhor desempenho. É importante levar em conta aqui, no entanto, que aqueles que iniciam a temporada enfrentam os estaduais que costumam levantar os números por terem nível técnico bastante inferior.

 

A verdade é que no Brasil a frenética dança das cadeiras só serve para duas coisas. O dirigente dá satisfação para o torcedor “provando” que está atento ao desempenho e buscando melhorar. E técnicos enchem os bolsos com multas e grande rotatividade nos empregos.

 

Clubes que trocaram menos o comando nos últimos anos lideram as listas de times que mais estiveram perto das conquistas nas últimas temporadas. Coincidência? Talvez sim, considerando a velha história sobre o ovo e a galinha e qual dos dois veio primeiro. Mas é um fato que, salvo raras exceções, trocar de técnico no Brasil tem representado muito pouco.

 

Abaixo, a lista com o desempenho de todos os técnicos da Série A nos clubes ao longo da temporada (em vermelho, os que tiveram desempenho inferior ao antecessor; em verde, os que tiveram desempenho superior ao antecessor):

 

Dança das Cadeiras, Técnicos,

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