Opinião
Venceu o melhor time no Mineirão
3 agosto, 2017
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Os ingredientes estavam na mesa para o Atlético-MG tentar virar a página em 2017: casa cheia para receber o melhor time do Brasil, com 32 jogos de invencibilidade. Uma vitória poderia significar a mudança de astral que o time precisava às vésperas de um jogo decisivo na Libertadores. Poderia. Mas o futebol, por mais imprevisível que possa ser, ainda tem algumas coerências. Venceu o melhor time no Mineirão.

 

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Estadão Conteúdo

O Corinthians mostrou desde o início que não é por acaso (assim como o América na Série B) a liderança do Campeonato Brasileiro. Assumiu as rédeas mesmo jogando fora de casa e desfalcado de jogadores importantes como Pablo, Jádson e Romero. Manteve o padrão, buscando passes curtos, se organizando rapidamente sem a bola e mostrando paciência a espera de um erro do adversário.

Que demorou a sair porque Rogério Micale organizou bem o seu Atlético. No 4-4-2, com muita concentração, mostrou muita intensidade sem a bola tentando a recuperação rápida nos primeiros minutos. O meio tinha força e dinâmica com Carioca, Elias e Gustavo Blanco. Começou até mesmo a conseguir escapar e pegar o adversário desorganizado pelo lado esquerdo. Mas a bola caiu sempre nos pés de Pablo, a escolha do treinador desde o último fim de semana. Colocar o atacante para jogar com Robinho no banco, pode ser um recado importante como dissemos no domingo. Manter a “punição”, é punir o time também. Há (muitas) opções melhores no elenco.

 

Aos poucos, o Galo foi deixando mais espaço entre as suas linhas e a concentração já dava sinais de queda quando Fábio Santos saiu para dar o bote, Pablo não acompanhou Fágner e o caminho se abriu. Gustavo Blanco também demorou para voltar e a bola sobrou limpa para Jô abrir o placar. A transição defensiva segue sendo o calcanhar de aquiles do time atleticano.

 

Gol que mudou a história do jogo porque permitiu ao Corinthians fazer o que faz melhor. Esfriar o ritmo e controlar os espaços. É difícil achar brechas, principalmente quando bate a ansiedade pela longa sequência de resultados dentro de casa.

 

No segundo tempo o Atlético de Micale até deu indícios de que conseguiria controlar e amassar o adversário. Adiantou as linhas e ganhou o meio quando passou ao 4-3-3, com Cazares passando para o lado direito e a trinca de volantes por dentro. Mas durou pouco porque o treinador não teve paciência para buscar o placar e escancarou o setor mais importante com Robinho na vaga de Elias. Ainda que o atacante tenha tido uma chance clara para marcar, dar espaço ao Corinthians é fatal como mostrou Rodriguinho (antes Maycon havia perdido oportunidade de matar o jogo).

 

O Corinthians segue abrindo vantagem com impressionante consistência e concentração. Erra pouco e sabe como ninguém aproveitar os erros do adversário. Campeão do turno, caminha com tranquilidade para ampliar ainda mais a vantagem e confirmar o título nacional, ainda que tenha adversários em crescimento como Santos e Palmeiras.

 

No Galo, Micale precisa colocar na cabeça que é mais importante recuperar peças do que descartar jogadores. Lidar bem com Robinho e cia não é fácil mas é necessário. Só assim o time atingirá o nível esperado. O tempo é curto. O prazo é de uma semana.

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