Opinião
Vinicius Júnior, Diniz e o Brasil que torce contra
21 maio, 2018
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O Campeonato Brasileiro de 2018 ainda está só no começo, com nível técnico bem parecido com o dos últimos anos. Muitos jogos ruins, por diversos fatores. O horário ruim das 11h da manhã do domingo que não tem mais atraído tanto público mas que tem atrapalhado muito os times. O calendário apertado por conta da Copa. Um festival de times reservas, com outras competições tratadas como prioridade por serem mata-mata. Mas o nosso complexo de vira-latas segue fazendo com que muita gente torça contra quem tenta fazer algo diferente, subir o nível.

 

Vinicius Júnior, Flamengo,

Gilvan Souza/Flamengo

É assim com Vinicius Júnior. Negociado muito jovem por uma fortuna com o Real Madrid, deveria fazer com que todos os brasileiros torcessem por ele. Ainda nem completou 18 anos mas já é titular absoluto do Flamengo desde a saída de Éverton para o São Paulo. Pela idade e a pressão, naturalmente vai oscilar. Basta um jogo ruim e de todos os lados aparece alguém dizendo que é “o novo Negueba”. Já tem 4 gols em 6 rodadas no Brasileiro, é o artilheiro do Flamengo no ano com 10 gols e 3 assistências. Mas precisa jogar mais e mais a cada dia e se provar sempre. A maioria torce contra. Afinal, seria muito mais legal dizer que “eu disse que não era isso tudo” quando todos os caminhos apontam para o sucesso do garoto.

 

O mesmo acontece com Fernando Diniz. O técnico de ideias diferentes no país do jogo reativo. O Atlético-PR teve coragem pra apostar e os resultados vieram rapidamente. Quando eles sumiram (são cinco derrotas consecutivas e oito jogos sem vencer), os mesmos que torcem contra Vinicius Júnior vibram nas redes sociais, nas arquibancadas, nos canais de TV e rádio. Os abutres do resultado não podem ver uma derrota e ficam festejando como urubus sob a carniça. É claro que Fernando Diniz por melhor treinador que seja não faz magia. Mas faz seu time jogar com conceitos dos grandes times do mundo. Naturalmente, os adversários se fecham contra ele e adotam uma postura reativa em geral. No Atlético-PR não há material humano para furar retrancas com a mesma naturalidade de City, Bayern, Real Madrid, Barcelona e cia. As dificuldades, claro, serão muito maiores. Não quer dizer que o time não tenha defeitos e que o técnico seja perfeito. Mas é muito mais legal dizer que “ele não era tudo isso” do que torcer pelo sucesso de quem quer fazer algo que os outros não fazem.

 

É natural que o novo cause estranheza. Um garoto de 17 anos valer tanto dinheiro e ser titular de um clube gigante não é o normal. Um técnico que assume um clube de plantel modesto e tenta fazer com que ele jogue como os melhores times do mundo não é o normal. Por aqui, sigo torcendo para que Vinicius Júnior jogue cada vez mais e melhor e que outros como ele possam surgir. Que Fernando Diniz consiga vencer a cultura dos resultados para fazer um trabalho de longo prazo e que outros como ele possam surgir. Mesmo que aí fora as derrotas e tropeços façam muito mais gente feliz.

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1 comentário

  • João Alves disse:

    O mais engraçado é a defesa que se está fazendo do Fernando Diniz, por supostamente ele não ter um elenco qualificado para o tipo de jogo a que se propõe. Ué, mas quando ele foi bem no Audax os elogios não eram justamente por estar conseguindo que uma equipe (ainda mais) limitada o fizesse? Aliás, ele decaiu no próprio Audax, depois do vice em 2016 foi rebaixado em 2017. No meio tempo, se salvou de cair pra série C com o Oeste na última rodada. Tem uma parcela grande dos comentaristas esportivos que quer que o Fernando Diniz dê certo porque acredita na filosofia dele, e sempre muda os argumentos para ter razão. Nunca é o trabalho que está em questão, ou a competência para executar o discurso – se dá errado é por algum fator externo, porque “não aceitam quem pensa diferente”. Grande coisa pensar diferente e não conseguir colocar em prática.

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